Infectado é um médico voluntário vindo da República Democrática do Congo; OMS classifica a situação na África como emergência de saúde internacional.
Em nota oficial, o órgão governamental declarou que as providências de segurança biológica foram adotadas imediatamente após o desembarque do profissional em solo europeu:
"Todas as diretrizes preventivas, com ênfase no isolamento imediato do paciente, foram postas em prática logo na sua chegada ao país. Ele foi encaminhado a uma unidade médica de referência, apresenta quadro clínico estável e recebe tratamento sob rigorosos critérios de biossegurança", destacou o Ministério.
Monitoramento de contatos e quarentena preventiva
Com o objetivo de conter riscos de transmissão comunitária, uma ampla investigação epidemiológica foi instaurada para mapear a rede de contatos do médico. As pessoas que tiveram proximidade com o paciente deverão cumprir isolamento obrigatório de 21 dias, contando com a vigilância ativa de órgãos regionais de saúde.
O atual panorama epidemiológico na África central preocupa a comunidade médica porque é movido pela variante Bundibugyo, uma linhagem rara e de difícil controle da doença que, até este momento, não possui vacina imunizante homologada pelas agências internacionais. Na República Democrática do Congo, as estatísticas apontam para 1.003 diagnósticos positivos e 254 mortes, concentradas sobretudo nas regiões de Kivu do Norte, Kivu do Sul e Ituri. Fora do país, a vizinha Uganda já contabiliza 20 infecções mapeadas e dois óbitos diretamente vinculados aos focos de contágio da RDC.
A interferência da crise civil no combate à doença
Considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma emergência global de saúde pública, a proliferação do vírus vem encontrando barreiras sociopolíticas na África. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, enfatizou que a hostilidade em zonas de conflito militar, o deslocamento em massa de refugiados e o ceticismo das populações locais afetam o combate direto à crise.
"Esses fatores têm prejudicado de maneira drástica a ampliação do rastreamento de possíveis infectados e a detecção precoce dos casos, impedindo a aplicação imediata de terapias de suporte médico", asseverou Adhanom.
Guia de Saúde: O que é o vírus Ebola e quais os principais sintomas?
Identificado originalmente no ano de 1976, o patógeno pertence à família Filoviridae e faz parte do gênero Ebolavirus. Cientistas apontam que a introdução do agente biológico em humanos ocorre por meio do contato com fluidos orgânicos, sangue ou órgãos de animais silvestres portadores (como primatas, morcegos-gigantes e antílopes).
Existem cinco cepas principais conhecidas do microrganismo, sendo que quatro manifestam-se em humanos:
Zaire Ebolavirus
Sudão Ebolavirus
Taï Forest Ebolavirus
Bundibugyo Ebolavirus (cepa do surto atual)
Reston Ebolavirus (atinge apenas animais)
A contaminação entre seres humanos é direta e ocorre pela exposição a sangue, fluidos, secreções ou tecidos de pacientes infectados (vivos ou mortos), além do manuseio de superfícies e objetos contaminados.
Os sintomas do vírus ebola caracterizam-se pelo início súbito de fadiga extrema, episódios severos de febre, dores abdominais agudas, diarreia, vômito, perda de apetite, dor de garganta intensa e, nos cenários mais críticos, quadros de hemorragia interna e externa. O intervalo entre a infecção e o aparecimento dos sinais clínicos (período de incubação) varia de 2 a 21 dias. De acordo com os dados históricos da OMS, a enfermidade possui caráter severo e avassalador, apresentando taxas de letalidade que podem alcançar o patamar de até 90%.