Alerta no Japão: Avanço dos Crimes de 'Upskirting' Envolve Crianças como Infratoras e Vítimas

quinta-feira, 25 de junho de 2026
Lacunas na legislação do Japão resultam em penalidades mais leves crimes sexuais digitais

Lacunas na legislação do Japão resultam em penalidades mais leves crimes sexuais digitais

CNN via CNN Newsource

Crimes de "upskirting" crescem no Japão e acendem alerta vermelho com o envolvimento alarmante de menores como infratores e a proliferação de fóruns de abuso na deep web.

Bnews
por Redação 1feed site
Publicado em 25/06/2026

O Japão enfrenta uma crise silenciosa e crescente na segurança pública digital. O chamado upskirting — ato criminoso de fotografar ou filmar secretamente por baixo das saias de mulheres e meninas — registou uma mudança de perfil alarmante: menores de idade estão a passar de vítimas a agressores devido ao fácil acesso à tecnologia e à internet.

A Escala do Problema e a Nova Legislação

Embora o Japão tenha uma reputação global de segurança, os crimes de captação ilícita de imagens íntimas dispararam nos últimos anos. Para combater o problema, o governo japonês implementou recentemente uma lei nacional que criminaliza especificamente a fotografia sexual não consensual. Anteriormente, estas infrações eram tratadas apenas por decretos locais, o que dificultava uma punição uniforme.

Mesmo com o endurecimento das leis, analistas apontam que a raiz do problema reside na facilidade de distribuição digital. Fóruns anónimos e plataformas na deep web monetizam este conteúdo, criando um mercado lucrativo para redes de abuso e exploração infantil.

Relatos Devastadores: O Impacto nas Famílias

Casos recentes chocaram a opinião pública. Num dos episódios relatados pela imprensa internacional, o pai de uma vítima identificada pelo pseudónimo "Ayaka" descobriu que o próprio instrutor de natação da filha gravava secretamente as crianças. O criminoso foi condenado a quatro anos de prisão, mas os vídeos continuam a circular no submundo digital.

O pai desabafou sobre a angústia de saber que as imagens da filha permanecem online por tempo indeterminado: "O agressor cumpre a pena e é libertado, mas a minha filha terá de carregar essa cicatriz digital para sempre."


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O Perfil do Infrator: O Testemunho de Kimura

A transição para comportamentos criminosos começa frequentemente cedo. Um jovem japonês, sob o pseudónimo de "Kimura", partilhou como o vício começou aos 15 anos através de pornografia encenada na internet. Aos 17 anos, cometeu o primeiro crime real numa escada rolante de uma estação de comboios. Ele revelou que a impunidade inicial alimentou o comportamento, levando-o a fazer mais de 30 vítimas em apenas um ano.

"Se a polícia não me tivesse detido por invadir uma propriedade privada enquanto tentava roubar roupas interiores, o meu comportamento poderia ter escalado para crimes ainda mais graves, como violação", admitiu Kimura, que hoje cumpre programas de reabilitação.

Desafio Educacional e Tecnológico

Especialistas em proteção de menores alertam que os smartphones e as redes sociais encurtaram a distância entre a curiosidade juvenil e o crime digital organizado. O grande desafio das autoridades japonesas agora vai além de prender os culpados: exige uma forte intervenção educacional nas escolas e uma regulamentação rigorosa sobre plataformas digitais para proteger a infância e erradicar esta prática invasiva.


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