Caso Banco Master: Jaques Wagner e Augusto Lima são alvos de nova fase da Operação Compliance Zero da PF

quinta-feira, 18 de junho de 2026

Polícia Federal cumpre mandados autorizados pelo STF em investigação sobre suposto esquema bilionário de fraudes financeiras

Por Redação Cidades | Atualizado em 18 de junho de 2026

A Polícia Federal (PF) deflagrou a nona fase da Operação Compliance Zero, tendo como principais alvos o senador Jaques Wagner (PT-BA), atual líder do governo no Senado, e o empresário Augusto Ferreira Lima. A ação dá continuidade às investigações que apuram um suposto esquema bilionário de fraudes no sistema financeiro envolvendo o Banco Master.

Augusto Ferreira Lima, que controlava o Banco Pleno (anteriormente denominado Voiter), já havia sofrido mandado de prisão preventiva na etapa inicial da operação, realizada em novembro de 2025, ocasião em que o banqueiro Daniel Vorcaro também foi preso.

A instituição financeira fez parte do conglomerado Master até meados de 2025, período em que a venda foi consolidada por Vorcaro para Lima. Posteriormente, em fevereiro de 2026, o Banco Central (BC) decretou a liquidação extrajudicial do Banco Pleno, poucos meses após o encerramento oficial das atividades do Master.

Detalhes das buscas e medidas restritivas

Ao todo, agentes federais cumprem 18 mandados de busca e apreensão autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). As ordens judiciais estão sendo executadas em endereços localizados na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal.

Entre os nomes listados nas investigações constam o de Eduardo Sodré Martins, enteado do parlamentar baiano, e o de seu pai, Guilherme Henrique Sodré Martins. A linha de apuração sobre o senador aponta suspeitas relacionadas a uma transação imobiliária envolvendo um imóvel cotado em R$ 2,5 milhões.

Além dos mandados de busca, o STF determinou a aplicação de medidas cautelares diversas à detenção. Os investigados estão proibidos de manter comunicação entre si, tiveram seus passaportes retidos e passarão por monitoramento via tornozeleira eletrônica. Em comunicado oficial, a corporação informou:

"Os fatos investigados podem caracterizar, em tese, os crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro."

O perfil do empresário investigado

Augusto Lima ganhou notoriedade no ecossistema econômico ao arrematar a rede de supermercados Cesta do Povo durante o leilão de privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), em 2018. Na época, a Bahia era governada por Rui Costa e Jaques Wagner ocupava o cargo de secretário de Desenvolvimento Econômico, tendo liderado as tratativas de desestatização. Wagner já declarou publicamente que a aproximação e amizade com o empresário teve origem nesse período.

Utilizando a estrutura da antiga estatal, Lima criou o Credcesta, modalidade de crédito consignado com desconto em folha voltada para o funcionalismo público baiano e pensionistas. Essa operação financeira expandiu-se consideravelmente após a associação com o Banco Master.

Manifestações das defesas e posicionamento político

A assessoria jurídica de Augusto Lima contestou as medidas adotadas pela PF em nota oficial à imprensa, classificando a ação como desnecessária devido à postura colaborativa do empresário nos últimos meses:

"As diligências realizadas pela Polícia Federal nesta data eram desnecessárias, uma vez que Augusto Lima está há seis meses à disposição das autoridades para esclarecer os fatos em apuração. De todo modo, as medidas contribuirão para demonstrar que os fatos apurados nesta fase da investigação são rigorosamente lícitos. Augusto Lima sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública."

No âmbito político, a Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), por meio de nota assinada pelo presidente do partido, Edinho Silva, manifestou solidariedade ao senador baiano e cobrou a elucidação do caso:

"O senador Jaques Wagner é depositário de toda a nossa confiança. Apoiamos todas as apurações envolvendo o Banco Master, a sociedade tem o direito de saber a verdade. Os crimes cometidos precisam ser apurados e os responsáveis penalizados. Nesse processo de investigação e apuração, temos confiança que o Jaques Wagner esclarecerá todos os fatos, comprovando a sua inocência."

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