Nova fase da Operação Compliance Zero eleva a temperatura política em Brasília e coloca líder do governo sob os holofotes.
Por Redação Brasília | Atualizado em 19 de junho de 2026
A articulação política no Congresso Nacional ganhou novos contornos nesta semana. Parlamentares da oposição decidiram intensificar a pressão para que o Senado instale em definitivo a CPI do Banco Master. O movimento de cobrança ganhou forte tração logo após a Polícia Federal (PF) deflagrar a nona etapa da Operação Compliance Zero, que apura um suposto esquema envolvendo lavagem de capitais, crimes financeiros e corrupção.
Apreensão de valores em Brasília acirra os ânimos
O principal estopim para a reação dos senadores foi o cumprimento de mandados que atingiram diretamente o líder do governo no Senado, Jaques Wagner. Durante a ação policial efetuada na capital federal, os agentes federais localizaram e apreenderam o equivalente a R$ 253 mil em moeda americana (dólares) no aposento de um hotel utilizado pelo senador baiano.
De acordo com as teses preliminares levantadas pela Polícia Federal, há indícios de que o numerário apreendido estaria atrelado a supostas vantagens indevidas pagas ao congressista. A suspeita é de que o parlamentar teria atuado nos bastidores políticos para favorecer os negócios e os interesses da instituição financeira investigada.
O que diz a defesa de Jaques Wagner?
Em pronunciamento oficial, Jaques Wagner negou categoricamente qualquer tipo de conduta ilícita ou recebimento de propina. O líder governista esclareceu que a quantia em dólares confiscada pela PF tem origem estritamente legal, sendo fruto do acúmulo de diárias pagas pelo próprio Senado Federal para a realização de missões e viagens institucionais no exterior.
Para rebater as críticas e afastar suspeitas de que estaria obstruindo as investigações, Wagner tomou a iniciativa de subscrever o pedido de criação da comissão investigativa:
"Assinei formalmente o requerimento para a instalação da CPI do Master. Embora considere o mecanismo parlamentar redundante neste momento, fiz questão de apoiar a medida para assegurar total transparência e afastar qualquer narrativa infundada de falta de interesse na elucidação dos factos", pontuou o senador.
Futuro da CPI do Master está nas mãos do STF
Apesar do cabo de guerra estabelecido no parlamento, o desfecho sobre o início dos trabalhos da CPMI do Master depende agora do Poder Judiciário. O requerimento de abertura já foi judicializado e está sob análise no Supremo Tribunal Federal (STF).
A instauração definitiva da comissão depende do julgamento de dois mandados de segurança que tramitam na Suprema Corte. A decisão final caberá aos ministros Nunes Marques ou André Mendonça, que definirão se o Senado será obrigado a ler e instalar o colegiado de investigação nos próximos dias.
