Caso Falsa Adolescente: Mulher de 37 anos vira ré em SC por fingir doença terminal e aplicar golpes em fiéis

quinta-feira, 11 de junho de 2026



A Justiça de Santa Catarina aceitou a denúncia do Ministério Público (MPSC) contra Amanda Maria Souza de Oliveira, de 37 anos. Ela se tornou ré pelos crimes de estelionato e falsa identidade na comarca de Joinville. A acusada ganhou notoriedade após se passar por uma criança de 12 a 13 anos em estado terminal para sensibilizar fiéis e obter vantagens financeiras e materiais.

As investigações apontam que o comportamento fraudulento da ré se estendeu por múltiplos estados, deixando rastros de prejuízos financeiros e profundos traumas psicológicos em suas vítimas.

O Modus Operandi: Doença Fictícia e Vínculo Afetivo em Grupos de Oração

O esquema começou a se desenhar em 2021, durante o período da pandemia de Covid-19. Utilizando a identidade digital de "Emily", Amanda ingressou em um grupo de orações virtual. Na ocasião, ela alegou ter apenas 13 anos e enfrentar uma enfermidade incurável em estágio terminal.

Uma das vítimas, residente no Paraná, relatou em entrevista o forte apelo emocional utilizado pela criminosa: "Ela apareceu pedindo orações para falecer, sustentando que sua mãe vivia internada por sua causa e precisava de descanso. Ficamos chocados com o pedido de uma criança e acabamos nos envolvendo emocionalmente", detalhou.

Com o fortalecimento do laço afetivo, Amanda convenceu a vítima paranaense a ser sua madrinha de batismo para "garantir sua entrada no céu antes de morrer". O envolvimento foi tão intenso que a mulher chegou a tatuar o nome "Emily" em seu pulso — marca que foi removida cirurgicamente após a farsa ser desmascarada.

Descoberta do Golpe e Prisão

A farsa começou a desmoronar quando Amanda passou a solicitar depósitos em dinheiro aos integrantes do grupo de oração. Desconfiados, os membros decidiram checar os registros médicos nos hospitais mencionados pela suposta adolescente, mas constataram que nenhuma paciente com aquele nome ou histórico havia sido atendida.

A confirmação definitiva do estelionato ocorreu durante uma chamada de vídeo. Ao solicitarem falar com a suposta tia da jovem, os integrantes do grupo perceberam que a pessoa que apareceu na tela era a própria Amanda, utilizando um disfarce improvisado.

Embora um boletim de ocorrência tenha sido registrado no Paraná ainda em 2022, as autoridades não conseguiram localizar a autora na época. Posteriormente, a ré voltou a atuar em Santa Catarina. Em Joinville, o MPSC demonstrou que ela induziu uma família ao erro de forma continuada, obtendo o custeio completo de sua subsistência, o que incluía moradia, alimentação, festas e até medicamentos de alto custo, como o remédio Mounjaro.

Processo Suspenso para Avaliação Psiquiátrica



A defesa da acusada, representada pelo advogado Rafael Luiz Siewert, informou que recebeu a denúncia com serenidade. Contudo, em virtude de indícios de transtornos psicológicos, a defesa solicitou a instauração de um incidente de sanidade mental.

De acordo com o advogado, existem relatos nos autos de que Amanda já havia sido detida anteriormente carregando cerca de 200 agulhas cravadas ou dispostas sobre a pele. Em audiência e em entrevistas prévias, a ré também admitiu sofrer com automutilação crônica.

Diante do cenário, o Magistrado responsável pelo caso determinou a suspensão do processo penal até a conclusão de uma perícia médica oficial. O exame psiquiátrico, conduzido pela Polícia Científica de Santa Catarina, está agendado para o dia 26 de junho de 2026. O andamento da ação judicial permanecerá paralisado até a anexação do laudo pericial aos autos.

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