Caso Jeffrey Epstein: Vítima brasileira relata rotina de terror e ameaças de morte após vazamento de dados

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Por Redação | Marina Lacerda, identificada inicialmente como "Vítima Menor 1", revela que precisa dormir armada para proteger a si e à filha nos EUA após exposição de arquivos confidenciais.

O impacto do maior escândalo de crimes sexuais dos Estados Unidos continua a fazer vítimas, mesmo anos após o desfecho do caso na Justiça. A brasileira Marina Lacerda, que quebrou o silêncio para denunciar os abusos cometidos pelo falecido financista Jeffrey Epstein, revelou em entrevista à agência internacional Reuters que vive sob constante vigilância e medo, chegando ao extremo de dormir armada para garantir a própria segurança.

Desde que expôs publicamente a sua tragédia individual, Marina enfrenta uma rotina severa de perseguições e intimidações online e físicas. "Fico paranoica a cada minuto, com um temor real de que alguém consiga invadir minha residência", desabafou a sobrevivente. Atualmente, ela reside com sua filha de 12 anos em um residencial fechado em território americano.

O estopim das perseguições e a falha do Departamento de Justiça americano

A onda de hostilidades se intensificou significativamente a partir de setembro de 2025, quando Marina participou de uma conferência de imprensa que exigia a abertura e transparência de relatórios oficiais sobre a rede de exploração do bilionário. No ambiente digital, criminosos passaram a emitir promessas de homicídio contra a brasileira, alegando que ela jamais deveria ter se pronunciado.

A situação atingiu níveis ainda mais alarmantes devido a uma falha institucional: o Departamento de Justiça dos Estados Unidos publicou documentos oficiais sem a devida ocultação de dados sigilosos. O nome de Marina apareceu dezenas de vezes nos arquivos sem tarjas de proteção, deixando-a vulnerável.

A superexposição gerou novos linchamentos virtuais nas redes sociais, onde a vítima foi alvo de ofensas morais. O impacto atingiu também o ambiente escolar de sua filha, que passou a sofrer bullying e questionamentos cruéis de colegas de classe sobre a identidade de seu pai. Para tentar resguardar sua integridade física, Marina adotou medidas drásticas, como alterar legalmente os registros imobiliários de sua casa para ocultar sua real localização. Contudo, ela ressalta que não se arrepende de ter confrontado o agressor.

Uma rede global de medo: dezenas de mulheres vivem desprotegidas

A vulnerabilidade vivida por Marina Lacerda reflete o cenário de pelo menos outras 23 sobreviventes mapeadas pela apuração da Reuters. Essas mulheres relatam ser alvos frequentes de coação, assédio moral e ameaças graves depois que suas identidades foram expostas por negligência estatal ou após decidirem depor contra o esquema de Epstein.

Entre os relatos mais contundentes está o da americana Danielle Bensky, de 39 anos. Assim como Marina, Danielle passou a receber ameaças explícitas de violência sexual após ter suas informações expostas nos relatórios do governo. Em um dos episódios, um usuário enviou mensagens com fotos portando armas de grosso calibre detalhando atos de violência.

Outro caso emblemático é o de Maria Farmer, que precisou abandonar seu lar em definitivo após ter o endereço residencial vazado na internet por stalkers. Farmer confessou que o nível extremo de perseguição e desgaste psicológico quase a levou a cometer suicídio.

Diante do abandono e da sensação de impunidade, grande parte das vítimas integradas ao processo adotou esquemas rígidos de segurança privada, incluindo o monitoramento por câmeras, contratação de escoltas particulares e o porte de instrumentos de defesa pessoal, como dispositivos de choque (tasers), sprays de pimenta, armas brancas e de fogo.

Relembre o Caso Jeffrey Epstein

Marina Lacerda foi peça-chave nas investigações criminais de 2019, registrada sob o codinome de "Vítima Menor 1" no processo federal que acusou o magnata de chefiar uma rede transnacional de abuso e tráfico sexual. De acordo com os autos, ela tinha apenas 14 anos quando os abusos começaram, no ano de 2002.

Jeffrey Epstein foi detido pelas autoridades americanas e morreu por enforcamento em uma cela de segurança máxima em Nova York, em agosto de 2019, enquanto aguardava o julgamento. O laudo oficial do Estado apontou a causa da morte como suicídio. Já sua principal cúmplice e ex-namorada, Ghislaine Maxwell, foi sentenciada pelo tribunal federal em 2021 e cumpre uma pena estipulada em 20 anos de reclusão em regime fechado.

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