Por Redação Esportes | Atualizado em junho de 2026
A estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo disparou alertas nos bastidores do futebol internacional. Após uma atuação oscilante diante do sistema tático de Marrocos, o setor ofensivo do Brasil virou alvo de debates. O treinador português Laurindo Filho analisou o desempenho canarinho e foi categórico ao apontar a principal carência do elenco: a falta de um camisa 9 de ofício e com alto poder de definição.
Segundo o técnico, o maior erro estratégico esteve na lista de convocados para o Mundial.
Pedro, do Flamengo, Deveria Estar na Copa do Mundo?
Para Laurindo Filho, o comando de ataque brasileiro carece de um atleta com as características de Pedro, centroavante do Flamengo. O técnico destacou que o poder de conversão do atacante rubro-negro seria o fator de desequilíbrio necessário para o formato de tiro curto da competição internacional.
"O principal finalizador do futebol brasileiro na atualidade ficou de fora da convocação. Estamos falando do Pedro, do Flamengo. Embora seja um atleta com estilo muito específico e que exige ajustes no encaixe tático inicial, a capacidade de finalização dele é impressionante. Em torneios de mata-mata, essa eficiência é crucial: se ele tiver duas chances claras, vai guardar uma", argumentou o comandante português.
Dependência de Vinicius Júnior e o Domínio de Marrocos
Ao avaliar o confronto direto contra a seleção africana, Laurindo não poupou críticas à postura coletiva do Brasil. Na visão dele, o placar de igualdade na primeira etapa não refletiu o volume de jogo apresentado em campo, e a equipe dependeu excessivamente do brilho individual de suas estrelas.
O treinador enfatizou que a organização tática e o entrosamento de Marrocos ditaram o ritmo do jogo:
Evolução Coletiva: Marrocos apresenta um projeto sólido de longo prazo, fruto do investimento de sua federação.
Fluidez em Campo: Os atletas africanos demonstram alto entrosamento, com transições rápidas e facilidade na posse de bola.
Individualidade Brasileira: O Brasil foi dominado no primeiro tempo e buscou o empate em uma jogada isolada de Vinicius Júnior.
"O resultado de 1 a 1 antes do intervalo acabou sendo bastante generoso com o futebol que o Brasil apresentou. Marrocos foi amplamente superior. A Seleção contou com a genialidade e a sorte de Vinicius Júnior para achar um gol e mudar o cenário", avaliou Laurindo.
O Peso da Camisa 9: A Diferença para os Grupos de 1994 e 2002
De acordo com a análise de Laurindo Filho, o atual processo de transição e renovação da Seleção Brasileira caminha em passos mais lentos do que o de seus concorrentes diretos ao título da Copa. A principal diferença entre o elenco atual e as gerações que conquistaram o pentacampeonato mundial está, justamente, na presença de referências incontestáveis na grande área.
Copa de 1994: Presença letal de Romário e Bebeto.
Copa de 2002: O trio histórico formado por Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho.
"No passado, o Brasil ostentava elencos taticamente fortes, mas que tinham peças cirúrgicas na frente para resolver partidas truncadas. Faltam ao grupo de hoje os finalizadores natos que outrora decidiram Copas", concluiu o treinador.