Absolvido de acusações, articulador superou a perda de contrato milionário na Europa para comandar a armação da Seleção Brasileira nos EUA.
Há pouco tempo, o destino do atleta parecia caminhar para o fim. Paquetá foi alvo de graves denúncias da Federação Inglesa de Futebol (FA), acusado de forçar cartões amarelos para beneficiar apostadores. Caso as suspeitas se confirmassem, o jogador enfrentaria o banimento definitivo dos gramados aos 27 anos de idade. Apesar de sempre clamar por sua inocência, o calvário jurídico arrastou-se de 24 de maio de 2024 até 25 de julho de 2025, data em que foi oficialmente absolvido de todas as acusações.
O Preço das Acusações e o Retorno Histórico ao Flamengo
Embora a justiça tenha sido feita, o período de 14 meses sob investigação cobrou um preço alto. O meia viu ruir a transferência dos seus sonhos para o Manchester City, onde havia sido um pedido expresso do técnico Pep Guardiola. Além do baque pela desistência dos Citizens, Paquetá acabou perdendo espaço em convocações cruciais da Amarelinha.
Mesmo inocentado, o fechamento temporário de portas nos gigantes europeus fez o jogador recalcular sua rota. A decisão foi voltar às origens. Ele acertou seu retorno ao Flamengo, convicto de que o clube carioca seria o trampolim ideal para reconquistar seu espaço no cenário internacional e carimbar o passaporte para o Mundial.
“Estava muito convicto da minha decisão. Depois de tudo que passei, eu tinha muito claro na minha cabeça o que eu queria. Eu queria reviver esse sonho de vestir a camisa do Flamengo. Claro que a Seleção semp
re foi um objetivo, mas independentemente de clube, eu teria que estar fazendo o melhor no meu clube para alcançar espaço na Sel eção”, revelou o jogador em entrevista coletiva.
A Mudança Tática de Ancelotti e o Sucesso no Meio-Campo
O caminho até a titularidade na Copa não foi simples. Fora da lista dos amistosos decisivos de março, o meia garantiu sua vaga apenas na convocação final de Carlo Ancelotti. Inicialmente, o plano do treinador italiano era utilizá-lo aberto pela ponta direita, sustentando um quarteto ofensivo protegido apenas por Casemiro e Bruno Guimarães.
Contudo, após a forte pressão sofrida diante de Marrocos na estreia, Ancelotti abriu mão do esquema ultra-ofensivo e centralizou Paquetá na sua posição de preferência: o miolo de campo. A alteração tática surtiu efeito imediato, liberando o meia para abastecer atacantes como Raphinha e Vinicius Júnior com passes verticais precisos.
“Para esse segundo jogo, a gente já foi um pouco mais definido de jogar com três no meio, diferentemente do outro jogo, em que eu começava por fora e flutuava por dentro com um pouco mais de liberdade. Acho que essa mudança um pouco
tática acaba definindo melhor a maneira que a gente vai se entender dentro de campo”, analisou o camisa 10.
A Parceria de Sucesso com Vinicius Júnior rumo ao Hexa
A sintonia do meio-campo com o ataque ficou evidente na vitória contra o Haiti, coroada por um longo abraço entre Paquetá e Vinicius Júnior após um passe magistral do meia para o gol do atacante do Real Madrid. O entrosamento vem de longa data, desde as divisões de base no Rio de Janeiro.
“A gente tem uma amizade muito bonita, de muito tempo. Vi o Vini ainda muito novinho, criamos esse laço desde a época do Flamengo. A gente fica muito feliz de estar junto, independentemente de estar na seleção ou torcendo de longe. É um cara
que admiro muito, tenho respeito enorme por ele. Sem dúvida que estar com ele aqui e vivendo mais uma Co pa do Mundo é especial demais para nó s”, celebrou Paquetá.
Se antes parte dos analistas e da opinião pública questionava sua presença devido ao escândalo das apostas, hoje Lucas Paquetá fala com a autoridade de quem dita o ritmo do Brasil em campo. Absolvido pelo passado e consagrado no presente, o armador foca suas energias nos Estados Unidos com um único propósito em mente: liderar a Seleção Brasileira rumo ao tão sonhado hexacampeonato.