Estudo revela forte impacto das baixas temperaturas na saúde dos paulistas, com destaque para o dobro de idosos infetados e redução nos tempos de espera.
Os dados coletados na primeira metade de junho superam as estatísticas do mesmo período do ano anterior, quando o índice de alta era de 74%. O estudo baseou-se em dados fornecidos por 91 instituições hospitalares privadas e filantrópicas de todo o território paulista.
O impacto do inverno e o perfil da população idosa
Segundo a avaliação do médico Francisco Balestrin, presidente executivo do SindHosp, o cenário está diretamente associado às variações sazonais.
"Trata-se de um comportamento epidemiológico padrão com a chegada do inverno. O contacto mais frequente com o frio e a humidade fragiliza o organismo, impulsionando a necessidade de assistência médica especializada", detalhou o gestor.
O principal destaque do relatório foi o agravamento da saúde na terceira idade. A incidência de pacientes situados na faixa etária entre os 60 e os 80 anos duplicou num intervalo de 12 meses, saltando de escassos 7% para expressivos 14% do total de internados.
Menos internamentos graves: o papel da vacinação e da telemedicina
Apesar da superlotação nos prontos-socorros, o número total de hospitalizações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) apresentou uma trajetória inversa e favorável. Enquanto em 2025 cerca de 85% das entidades de saúde reportavam alta nas internações de longa permanência, em 2026 essa taxa caiu para 68%.
Balestrin aponta que este fenómeno positivo reflete uma mudança na cultura do paciente, impulsionada pelas novas tecnologias de atendimento e pela prevenção:
Acesso precoce: Os utentes têm procurado ajuda médica nos primeiros sintomas de gripe ou resfriado nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).
Telemedicina: A triagem virtual em casa tem evitado o deslocamento desnecessário e a exposição em ambientes hospitalares.
Imunização: Campanhas de vacinação eficientes reduziram a gravidade das patologias de base. "A vacina atenua a agressividade dos vírus, impedindo que o quadro clínico descambe em complicações mortais", frisou.
Mudança no perfil patológico e agilidade nos Prontos-Socorros
O padrão das infeções também sofreu alterações. Se antes as pneumonias bacterianas lideravam as causas de internamento (39%), hoje as viroses respiratórias sazonais (como Influenza e Covid-19) assumiram o topo da lista com 31%. Por outro lado, doentes crónicos, como asmáticos e portadores de DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica), viram os seus episódios de crise subir de 7% para 15%.
Como dado positivo para a gestão de saúde pública e privada, o tempo de espera nos prontos-socorros diminuiu. Praticamente um quarto dos hospitais consultados (24%) já assegura o primeiro atendimento ao paciente em menos de 15 a 30 minutos, o que demonstra uma maior eficiência na triagem clínica mesmo perante a alta da procura em épocas frias.