Doenças respiratórias disparam nos hospitais de SP: procura cresce 88%, aponta SindHosp

quarta-feira, 24 de junho de 2026
Casos respiratórios crescem em hospitais de SP, diz pesquisa

Casos respiratórios crescem em hospitais de SP, diz pesquisa

Shutterstock

Estudo revela forte impacto das baixas temperaturas na saúde dos paulistas, com destaque para o dobro de idosos infetados e redução nos tempos de espera.


Bnews
por Redação 1feed site
Publicado em 24/06/2026

A chegada das frentes frias fez explodir a busca por cuidados médicos no estado de São Paulo. Um levantamento estatístico recente elaborado pelo Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo (SindHosp) revelou que 88% dos estabelecimentos de saúde registaram uma subida significativa na admissão de pacientes com complicações e doenças respiratórias em hospitais de SP.

Os dados coletados na primeira metade de junho superam as estatísticas do mesmo período do ano anterior, quando o índice de alta era de 74%. O estudo baseou-se em dados fornecidos por 91 instituições hospitalares privadas e filantrópicas de todo o território paulista.

O impacto do inverno e o perfil da população idosa

Segundo a avaliação do médico Francisco Balestrin, presidente executivo do SindHosp, o cenário está diretamente associado às variações sazonais.

"Trata-se de um comportamento epidemiológico padrão com a chegada do inverno. O contacto mais frequente com o frio e a humidade fragiliza o organismo, impulsionando a necessidade de assistência médica especializada", detalhou o gestor.

O principal destaque do relatório foi o agravamento da saúde na terceira idade. A incidência de pacientes situados na faixa etária entre os 60 e os 80 anos duplicou num intervalo de 12 meses, saltando de escassos 7% para expressivos 14% do total de internados.


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Menos internamentos graves: o papel da vacinação e da telemedicina

Apesar da superlotação nos prontos-socorros, o número total de hospitalizações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) apresentou uma trajetória inversa e favorável. Enquanto em 2025 cerca de 85% das entidades de saúde reportavam alta nas internações de longa permanência, em 2026 essa taxa caiu para 68%.

Balestrin aponta que este fenómeno positivo reflete uma mudança na cultura do paciente, impulsionada pelas novas tecnologias de atendimento e pela prevenção:

  • Acesso precoce: Os utentes têm procurado ajuda médica nos primeiros sintomas de gripe ou resfriado nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).

  • Telemedicina: A triagem virtual em casa tem evitado o deslocamento desnecessário e a exposição em ambientes hospitalares.

  • Imunização: Campanhas de vacinação eficientes reduziram a gravidade das patologias de base. "A vacina atenua a agressividade dos vírus, impedindo que o quadro clínico descambe em complicações mortais", frisou.

Mudança no perfil patológico e agilidade nos Prontos-Socorros

O padrão das infeções também sofreu alterações. Se antes as pneumonias bacterianas lideravam as causas de internamento (39%), hoje as viroses respiratórias sazonais (como Influenza e Covid-19) assumiram o topo da lista com 31%. Por outro lado, doentes crónicos, como asmáticos e portadores de DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica), viram os seus episódios de crise subir de 7% para 15%.

Como dado positivo para a gestão de saúde pública e privada, o tempo de espera nos prontos-socorros diminuiu. Praticamente um quarto dos hospitais consultados (24%) já assegura o primeiro atendimento ao paciente em menos de 15 a 30 minutos, o que demonstra uma maior eficiência na triagem clínica mesmo perante a alta da procura em épocas frias.


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