Apuração oficial aponta vitória da candidata de direita impulsionada pelo voto no exterior; oponente de esquerda contesta resultado e fala em fraude
O fator decisivo para a virada de Keiko foi o desempenho nas seções eleitorais de fora do país. Entre os peruanos residentes no exterior, a candidata governista concentrou 63,20% da preferência, contra 36,79% de seu rival. Por outro lado, o panorama dentro das fronteiras nacionais favoreceu Sánchez, que liderou localmente com uma margem estreita de 50,10% frente aos 49,89% da oponente.
Contexto de polarização e crise política no Peru
O desfecho eleitoral ocorre em um cenário de forte desgaste institucional. Na última década, o país andino enfrentou extrema instabilidade, sendo governado por oito presidentes diferentes — fruto de embates crônicos entre os poderes Executivo e Legislativo, escândalos de corrupção e rupturas democráticas.
Os dois projetos que disputavam a liderança do Executivo representam visões de Estado diametralmente opostas:
Keiko Fujimori (Direita): Centraliza seu plano de governo no livre mercado, no fomento à iniciativa privada e no endurecimento de ações de segurança pública. Sua trajetória carrega o peso e o legado político de seu pai, o ex-mandatário Alberto Fujimori, figura central do país nos anos 90, posteriormente sentenciado por crimes humanitários e corrupção.
Roberto Sánchez (Esquerda): Estruturou sua campanha sob a promessa de reestruturar o Estado por meio da soberania nacional, industrialização e combate às assimetrias sociais. Sánchez possui alinhamento político com o grupo de Pedro Castillo, ex-presidente destituído da liderança e detido após uma tentativa de fechar o parlamento em 2022.
Sánchez alega fraude eleitoral e convoca manifestações
O clima pós-pleito promete novos capítulos de tensão. Em pronunciamento oficial à imprensa, Roberto Sánchez declarou formalmente que rejeita a legitimidade dos números parciais. O esquerdista acusa a organização eleitoral e a coligação rival de manipularem as atas de votação, com foco nas seções estrangeiras.
"Identificamos indícios claros de interferência nos resultados. Não aceitaremos a instalação de um novo regime fujimorista", garantiu Sánchez. O candidato convocou sua base de apoiadores para irem às ruas em protesto nacional, agendado para o próximo sábado.