Com apuração oficial da ONPE apontando empate técnico de 50% contra 49,99% de Roberto Sánchez, contagem de votos no exterior e atas impugnadas definirão o novo presidente peruano.
Em uma das eleições mais acirradas da história do Peru, Keiko Fujimori lidera sobre Roberto Sánchez por poucas centenas de votos. Entenda o impacto das atas impugnadas.
LIMA, PERU — A apuração oficial do segundo turno das eleições presidenciais no Peru atingiu seu nível máximo de tensão. De acordo com os dados mais recentes divulgados pelo Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), com 98,21% das seções processadas, a candidata de direita Keiko Fujimori (Força Popular) retomou a liderança, registrando exatamente 50% dos votos válidos, contra 49,99% de seu oponente de esquerda, Roberto Sánchez (Juntos pelo Peru).
A virada técnica e o fôlego recente da campanha de Fujimori, de 51 anos, foram impulsionados principalmente pela chegada dos votos de residentes no exterior, com destaque para as colônias peruanas nos Estados Unidos e no Japão. Atualmente, a diferença entre os candidatos restringe-se a uma margem estreita de apenas algumas centenas de sufrágios.
O peso das atas impugnadas e o voto no exterior
Apesar da liderança marginal da direita, a autoridade eleitoral do país adverte que o resultado definitivo está longe de ser decretado. A proclamação do vencedor dependerá de uma detalhada análise jurídica de quase 480 mil votos vinculados a atas que foram alvo de contestação ou impugnação por fiscais partidários.
Em pronunciamento à imprensa, Keiko Fujimori adotou uma postura de equilíbrio. "Aguardaremos os números oficiais finais, mas o crescimento da contagem à medida que chegam as atas internacionais nos dá muito entusiasmo", afirmou a candidata, assegurando que manterá uma conduta "otimista e prudente" e que respeitará soberanamente o veredicto das urnas.
Sánchez denuncia pressões e fala em mobilizações
Por outro lado, o estreante na disputa presidencial Roberto Sánchez, de 57 anos, manifestou forte descontentamento com o avanço da apuração. Considerado o herdeiro político do ex-presidente Pedro Castillo — destituído e preso em 2022 após uma tentativa malsucedida de autogolpe —, Sánchez acusou setores da imprensa de coordenar ataques contra sua plataforma e denunciou "manobras que buscam distorcer a democracia".
"O resultado eleitoral precisa ser rigorosamente respeitado, independentemente das vontades de terceiros", declarou o líder esquerdista, que não descartou acionar sua base aliada para a realização de manifestações pacíficas em defesa do voto popular.
Histórico de lentidão na apuração peruana
A demora no anúncio oficial não chega a ser uma surpresa para os analistas políticos regionais. O sistema eleitoral peruano costuma enfrentar prazos extensos em disputas polarizadas.
Como parâmetro histórico, nas eleições presidenciais de 2021, travadas entre Pedro Castillo e a própria Keiko Fujimori, a divulgação final levou seis semanas para ser concluída — ocasião em que Castillo venceu com 50,12% contra 49,87% da rival. A estimativa oficial é que o desfecho do cenário atual possa se arrastar por duas semanas ou até o encerramento do mês corrente.
O candidato vitorioso assumirá o cargo no próximo dia 28 de julho, substituindo o presidente interino José María Balcázar para exercer um mandato presidencial de cinco anos.
