Equilíbrio Fiscal: STF deve apoiar Fazenda contra ‘pautas-bomba’ do Senado, diz Durigan

quinta-feira, 18 de junho de 2026

Ministério da Fazenda articula súmula vinculante com o Supremo para barrar propostas do Congresso que ameaçam a estabilidade fiscal e geram rombo de R$ 220 bilhões.

Por Redação Economia | Atualizado em 18 de junho de 2026

O Ministério da Fazenda ganhou um aliado de peso na busca pela sustentabilidade das contas públicas. Após uma série de audiências no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Dario Durigan afirmou ter recebido garantias de que a Suprema Corte atuará para conter o avanço de propostas legislativas que ameacem o orçamento federal, conhecidas nos bastidores políticos como "pautas-bomba".

O chefe da pasta económica reuniu-se com o presidente do STF, Edson Fachin, e com o ministro Gilmar Mendes. O principal tema da agenda foi o severo reflexo fiscal que as medidas em tramitação no Senado podem causar ao país ao longo do ano.

Descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal preocupa o Governo

A grande contestação do Executivo reside no facto de que os projetos aprovados no Congresso Nacional não apresentam estimativas de impacto orçamentário nem indicam a origem das receitas para financiar os novos gastos. Segundo o Ministério da Fazenda, esta omissão viola diretamente a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), o que confere um caráter de inconstitucionalidade às propostas, tornando-as inviáveis tanto para o Governo Federal quanto para as administrações municipais.

Para solucionar o impasse de forma definitiva, os magistrados do STF sinalizaram a elaboração de uma nova súmula vinculante. O mecanismo jurídico servirá para uniformizar as decisões judiciais no país, estabelecendo pré-requisitos e exigências financeiras rígidas antes que qualquer projeto com impacto fiscal direto possa ser sancionado.

"O nosso foco vai além do curto prazo. Diversas medidas que estão a ser votadas não geram consequências imediatas para este ano, mas têm o potencial de desestabilizar o futuro económico e a solidez fiscal do país", alertou Durigan à saída do tribunal.

Precedente da desoneração da folha de pagamentos

Como exemplo de articulação bem-sucedida entre o Judiciário e a equipa económica, o ministro relembrou o veto técnico aplicado pelo STF à extensão da desoneração da folha de salários em 2024. Na altura, a ausência de compensação orçamentária levou a Corte a suspender o benefício, o que forçou o parlamento a negociar uma transição gradual até 2027. O objetivo atual é evitar que pressões de natureza política ou ciclos eleitorais resultem no aumento de despesas públicas sem o respetivo lastro financeiro.

O impacto financeiro das propostas em debate

O pacote de projetos que tramita no Senado Federal acendeu o sinal de alerta na equipa de Durigan. Cálculos internos estimam que apenas três das propostas que avançaram recentemente nas comissões e no plenário podem gerar um impacto fiscal negativo de R$ 220 mil milhões ao longo da próxima década.

Entre as matérias de maior peso financeiro encontram-se o reajuste do piso salarial para profissionais de medicina e odontologia, a implementação de regras de reforma especial para agentes de saúde e de combate a endemias, além do projeto de reestruturação de dívidas do setor agrícola, que retornou para a análise da Câmara dos Deputados.

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