Após escalada de violência no Oriente Médio, Washington e Teerã buscam selar pacto diplomático para reabrir o Estreito de Ormuz, mas diplomatas iranianos pedem cautela sobre os prazos.
A diplomacia internacional vive dias de intensa expectativa com a iminente assinatura de um pacto de paz entre os Estados Unidos e o Irã. O presidente americano, Donald Trump, anunciou por meio de suas redes sociais que a celebração do acordo histórico está agendada para este domingo (14). Entre os desdobramentos imediatos do tratado, está a liberação total e desimpedida do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, uma das rotas comerciais e energéticas mais estratégicas do planeta.
De acordo com fontes regionais de alto escalão, que falaram sob condição de sigilo devido à complexidade do cenário de segurança, o consenso em torno do documento foi atingido após a aprovação direta das lideranças em Washington e Teerã. Esse progresso crucial surge logo após um início de semana conturbado, marcado por trocas de hostilidades militares diretas envolvendo forças americanas, israelenses e iranianas, o que chegou a colocar em xeque o cessar-fogo vigente e reacendeu o temor de um conflito armado generalizado na região.
Paquistão atua como mediador da paz regional (H2)
A costura política contou com a forte mediação do governo de Islamabad. O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, demonstrou forte otimismo ao declarar publicamente que o entendimento mútuo estava em vias de consolidação, estimando inicialmente o encerramento das tratativas definitivas em um período de 24 horas.
Donald Trump sinalizou o desejo de manter relações duradouras e colaborativas com Teerã e com as demais nações do Oriente Médio no longo prazo. O chefe de Estado norte-americano enfatizou sua expectativa por uma resolução célere e harmônica. Contudo, adotou um tom de dissuasão ao mencionar que os EUA dispõem de uma "alternativa definitiva" — fazendo alusão ao poder de fogo dos bombardeiros B-2 do país —, expressando o desejo de que tal recurso jamais precise ser mobilizado.
Programa nuclear fica de fora das negociações atuais (H3)
Apesar do clima de avanço iminente, o regime iraniano adota uma postura mais comedida quanto ao calendário. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, confirmou o otimismo nas discussões em torno do Memorando de Islamabad, mas ressaltou na TV estatal que a consolidação definitiva do documento pode demandar mais tempo do que o previsto por Washington.
"Embora o desfecho possa não se concretizar de imediato, a conclusão dos termos nos próximos dias possui alta probabilidade", ponderou Baghaei.
O diplomata esclareceu ainda que o escopo deste entendimento emergencial está estritamente delimitado ao encerramento imediato das hostilidades militares. Por decisão consensual entre as partes, o debate acerca do enriquecimento de urânio e do programa nuclear iraniano — que historicamente lidera a pauta de atritos do Irã com a comunidade internacional, Israel e a Casa Branca — foi totalmente blindado e postergado, não integrando as cláusulas deste tratado de paz imediato.
