Ligada à lenda de Robin Hood, a árvore milenar na Inglaterra sucumbiu aos impactos do turismo massivo e das severas mudanças climáticas.
Por Redação Internacional | Atualizado em 19 de junho de 2026
O Reino Unido despede-se de um dos seus maiores patrimónios históricos e ambientais. O icónico Carvalho Major, uma árvore milenar com cerca de 1.200 anos localizada na mítica Floresta de Sherwood, na Inglaterra, perdeu a vida. Os alertas foram acesos por especialistas após a árvore não ter apresentado qualquer folhagem durante a primavera deste ano, sinalizando o fim do gigante vegetal intimamente ligado às histórias populares de Robin Hood.
Fatores ambientais e ação humana aceleraram o declínio
Embora a morte de um organismo milenar resulte de múltiplos fatores, cientistas da Sociedade Real para a Proteção das Aves (RSPB) apontam que a pegada humana e as transformações ambientais globais desempenharam um papel decisivo.
Nas últimas duas dezenas de décadas, o turismo em massa atraiu milhões de exploradores internacionais para observar a copa monumental de 28 metros e a imensa estrutura de galhos retorcidos do carvalho. Este fluxo contínuo de visitantes causou a compactação extrema do solo ao redor do tronco, impedindo de forma severa a absorção natural de água e nutrientes vitais pelas raízes.
A par do impacto terrestre, a crise climática agravou a situação, trazendo secas severas e vagas de calor atípicas para a geografia britânica. Adicionalmente, as tentativas históricas de engenharia florestal para sustentar o monumento — que incluíram a aplicação de betão, estacas de contenção e amarras de metal — alteraram negativamente o ciclo biológico e o envelhecimento natural da espécie, funcionando como barreiras para a sua longevidade.
O esconderijo de Robin Hood e o legado cultural
O Carvalho Major ganhou destaque internacional no final do século XVIII, quando foi catalogado pelo Major Hayman Rooke. No imaginário coletivo e no folclore britânico, o carvalho ganhou fama por ter servido de base e refúgio secreto para Robin Hood e o seu bando de outorgados durante as fugas do Xerife de Nottingham. Essa conexão histórica transformou a árvore num motor cultural e num dos pontos turísticos mais visitados de todo o território britânico.
Impacto ecológico e o futuro de Sherwood
Do ponto de vista ambiental, o desaparecimento de exemplares tão antigos acarreta prejuízos graves para a biodiversidade local. Árvores com esta longevidade servem de habitat essencial, fonte de alimento e nicho reprodutivo para uma vasta cadeia de fauna e flora endémicas.
Mesmo sem vida biológica, a RSPB confirmou que a estrutura física do Carvalho Major não será removida. O tronco e os ramos icónicos permanecerão na Floresta de Sherwood como um memorial ecológico e monumento natural histórico, garantindo que o ecossistema continue a beneficiar dos nutrientes da madeira e mantendo viva a mística de Robin Hood para os futuros viajantes.