Alívio no preço do petróleo após cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã abre espaço para o governo federal retirar subvenções econômicas e extinguir taxas sobre exportação da commodity.
Por Redação Economia | Atualizado em 18 de junho de 2026
O governo federal estuda encerrar os subsídios aplicados aos combustíveis no Brasil. O anúncio foi feito pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, que condicionou a medida à consolidação da queda no preço do petróleo no mercado internacional, impulsionada pelo recente acordo de cessar-fogo firmado no Oriente Médio.
Segundo o chefe da pasta econômica, a expectativa é que a trégua na região diminua a volatilidade do mercado de energia, gerando um impacto positivo direto na contenção da inflação doméstica.
"A nossa meta é caminhar para a extinção dessas subvenções. Com o anúncio do cessar-fogo, esperamos uma trajetória de queda no valor do barril, o que naturalmente ajuda a arrefecer a inflação ao reduzir o custo final nas bombas. Seguiremos acompanhando o cenário de perto", explicou o ministro após participar de uma audiência na Câmara dos Deputados.
Monitoramento da inflação e responsabilidade fiscal
Durigan destacou que a equipe econômica monitora diariamente os reflexos dos conflitos internacionais sobre o índice de preços, com atenção redobrada aos segmentos de alimentação e transportes. Ele defendeu que as ações conduzidas pelo Ministério da Fazenda têm priorizado o equilíbrio das contas públicas como ferramenta para proteger o poder de compra do consumidor brasileiro.
A eventual retirada dos auxílios financeiros ocorre em um período estratégico: o ano eleitoral. Historicamente, oscilações e reajustes nos preços da gasolina e do diesel costumam carregar forte apelo e desgaste político junto à opinião pública.
Além da revisão dos subsídios, o ministro adiantou o plano de suspender a cobrança do imposto sobre a exportação de petróleo bruto. A tributação havia sido instituída temporariamente para balancear o caixa da União frente a pacotes de socorro emergencial injetados no setor produtivo. Um cronograma oficial para o encerramento da taxa, contudo, ainda não foi divulgado.
Análise de mercado: Cotação do petróleo deve seguir pressionada
Apesar do otimismo de Brasília com o pacto entre Washington e Teerã, especialistas em infraestrutura pedem cautela. Analistas do setor privado apontam que, mesmo com recuos momentâneos, o barril do petróleo tipo Brent deve se sustentar acima do patamar de US$ 80, com chances reais de encostar novamente nos US$ 90 antes do encerramento do ano.
Embora o risco de um confronto militar direto na região produtora tenha diminuído, persistem dúvidas logísticas importantes. A normalização total do tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz — canal vital por onde circula um quinto do petróleo global — pode demorar a se restabelecer integralmente devido aos danos acumulados.
Outro ponto de atenção para a política de preços interna são as reservas globais reduzidas. Nos Estados Unidos, por exemplo, os estoques comerciais operam cerca de 5% abaixo da média histórica dos últimos cinco anos. O cenário de oferta restrita coincide com o início do verão no Hemisfério Norte, época em que a demanda por combustíveis (como gasolina e querosene de aviação) atinge o ápice devido às viagens de férias, mantendo os preços internacionais sob forte pressão.
