Inverno de 2026 começa no Brasil sob a ameaça de um "Super El Niño"; veja a previsão

domingo, 21 de junho de 2026
Chuvas acima da média são esperadas no Sul, Centro-Oeste e Sudeste

Chuvas acima da média são esperadas no Sul, Centro-Oeste e Sudeste

(Foto: Felipe Rau/Estadão Conteúdo)

O inverno de 2026 começa sob a influência do El Niño. Descubra como o fenómeno climático vai alterar as temperaturas, os riscos de seca e os impactos na energia.

Bnews
por Redação 1feed site
Publicado em 21/06/2026

O início oficial do inverno acontece neste domingo (21), mas a estação mais fria do ano pode ganhar contornos atípicos no Brasil. De acordo com especialistas em meteorologia, a consolidação do fenómeno climático El Niño deve elevar gradualmente as temperaturas nos próximos meses. O aquecimento anómalo será impulsionado pela combinação de massas de ar seco e ventos vindos da região Norte, com efeitos mais severos previstos para a segunda metade do período.

Distribuição de chuvas e risco de estiagem no território nacional

O cenário climático para os próximos meses desenha um Brasil dividido por extremos. Enquanto as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste devem registar volumes de precipitação acima da média histórica, os estados do Norte e do Nordeste enfrentam o risco de secas severas devido à escassez de chuvas.

  • Agosto: As projeções indicam forte concentração de chuva no extremo norte do país, no litoral leste do Nordeste e em toda a Região Sul, superando os índices climatológicos tradicionais.

  • Setembro: A tendência é de intensificação das chuvas no Sul. Em contrapartida, as faixas norte e leste do Nordeste devem sofrer com índices pluviométricos significativamente abaixo do esperado.

Apesar do alerta de chuvas volumosas para os estados sulistas, a consultoria meteorológica Nottus descarta, até o momento, a ocorrência de catástrofes semelhantes às enchentes que assolaram o Rio Grande do Sul entre abril e maio de 2024.


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O espetro do "Super El Niño" e as ações governamentais

A preocupação de longo prazo está ancorada nos dados divulgados pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), dos Estados Unidos. Conforme o meteorologista Alexandre Nascimento, há uma alta probabilidade de o fenómeno evoluir para um "Super El Niño" entre setembro e fevereiro de 2027, caracterizado por um aumento superior a 2,5 °C na temperatura das águas do Oceano Pacífico.

Diante do risco iminente de desastres climáticos, o governo federal brasileiro agiu preventivamente com a criação de uma Sala de Situação Interministerial. O objetivo do órgão é centralizar o planeamento de respostas emergenciais e mitigar os impactos socioeconómicos do fenómeno.

Impactos no Setor Elétrico e no Abastecimento de Energia

Com previsão de duração estendida até meados de 2027, o El Niño trará reflexos diretos na matriz energética brasileira, amplamente dependente das centrais hidroelétricas.

Para o ano de 2026, Nascimento avalia que as chuvas projetadas para o Sul e Sudeste podem abastecer os reservatórios, gerando um efeito inicialmente positivo para o sistema elétrico. Contudo, o verdadeiro desafio está reservado para o início de 2027.

O especialista alerta que a combinação de ondas de calor intensas no primeiro trimestre — que disparam o consumo de eletricidade — somada à falta de chuvas estruturais no Norte e Nordeste, pode colocar o sistema de distribuição sob forte pressão nos meses seguintes.


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