Fenômeno El Niño deve elevar temperaturas acima da média histórica e trazer inverno atípico com forte amplitude térmica pelo país.
De acordo com dados recentes da Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (Noaa), o aquecimento das águas do Pacífico deve persistir até o início de 2027, modulando as características meteorológicas do Brasil nos próximos meses.
Disparidade térmica marca o início da estação
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) aponta uma forte variação térmica entre as regiões brasileiras já nas primeiras horas da nova estação. Enquanto o Centro-Oeste, o Norte e o Nordeste registram máximas elevadas de até 37°C, o Sul do país enfrenta marcas expressivamente baixas, com mínimas entre 2°C e 4°C e alto risco de geada.
Panorama meteorológico por região:
Sul: O ar frio polar atua com intensidade, mantendo o amanhecer gelado especialmente no Rio Grande do Sul. As máximas não devem passar dos 17°C em solo gaúcho e de 20°C em Santa Catarina e no Paraná. O avanço de uma nova frente fria tende a aumentar a cobertura de nuvens, mas sem indicativos de volumes expressivos de chuva.
Sudeste: São Paulo apresenta manhãs frias com marcas entre 7°C e 11°C, enquanto o Rio de Janeiro, Espírito Santo e o Triângulo Mineiro têm madrugadas mais suaves (16°C a 19°C). À tarde, as máximas chegam a 30°C no norte de Minas Gerais, contrastando com o clima ameno da capital paulista, que oscila entre 20°C e 24°C.
Centro-Oeste: O calor dita o ritmo da estação, alcançando extremos de 37°C no norte goiano e em Mato Grosso. Por outro lado, o extremo sul de Mato Grosso do Sul pode registrar mínimas de 8°C. A previsão aponta estabilidade na maior parte da região, com chuvas isoladas e rápidas restritas a pontos específicos de MT e do sul de Goiás.
Nordeste: Os termômetros caem para 14°C no sul baiano, mas superam os 36°C na divisa entre Ceará, Piauí e Maranhão. Precipitações passageiras e isoladas estão previstas apenas para a faixa litorânea e trechos do interior, enquanto as demais áreas seguem com tempo firme.
Norte: Clima quente predomina com médias na casa dos 24°C ao amanhecer e picos de 37°C no sudeste paraense e Tocantins. Pancadas de chuva com trovoadas isoladas devem atingir Roraima, Amapá e o norte do Pará.
Tendências para o trimestre: Julho, Agosto e Setembro
Uma nota técnica conjunta emitida pelo Inmet e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) detalha o cenário para o trimestre. Historicamente, o inverno brasileiro representa o período mais seco do ano para as regiões Sudeste e Centro-Oeste, além de faixas do Norte e Nordeste.
A permanência de massas de ar seco atua como um bloqueio atmosférico, impedindo a formação de nuvens de chuva. Esse cenário exige atenção redobrada das autoridades de saúde e meio ambiente. A queda drástica na umidade relativa do ar potencializa os riscos de incêndios florestais e intensifica o surgimento de patologias respiratórias crônicas na população.
Massas de ar polar, geadas e névoa
A redução da radiação solar abre espaço para a entrada eventual de frentes frias vindas da Argentina. Cidades do Sul e do Sudeste devem registrar médias trimestrais abaixo dos 22°C.
O relatório técnico do governo faz três alertas principais para os próximos meses:
Geadas: Alta probabilidade nos estados do Sul, Sudeste e em Mato Grosso do Sul.
Neve: Possibilidade de precipitação invernal nas áreas de maior altitude da Região Sul.
Friagem: Quedas bruscas de temperatura provocadas pelo vento polar no Mato Grosso, Rondônia, Acre e sul do Amazonas.
Adicionalmente, os motoristas e operadores aeroportuários devem redobrar os cuidados devido aos fenômenos de inversão térmica matinal. Nevoeiros densos devem reduzir consideravelmente a visibilidade em estradas e pistas de pouso nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul ao longo de todo o inverno.