Mistério de 80 Anos Revelado: Encontrados os Destroços de 'Navio do Inferno' da Segunda Guerra Mundial nas Filipinas

sexta-feira, 19 de junho de 2026
A localização foi encontrada por meio de documentos militares e pesquisas por sonar

A localização foi encontrada por meio de documentos militares e pesquisas por sonar

Destroços submersos de "navio do inferno" da Segunda Guerra Mundial usado para transportar prisioneiros de guerra são descobertos após mais de 80 anos

Pesquisadores localizam o naufrágio do Hōfuku Maru, embarcação japonesa que transportava prisioneiros aliados e foi torpedeada por engano em 1944. Conheça os detalhes desta descoberta histórica.

Por Redação Internacional | Atualizado em 19 de junho de 2026

Mais de oito décadas após desaparecer no fundo do oceano, a localização exata do Hōfuku Maru foi finalmente descoberta. O cargueiro japonês, conhecido historicamente como um dos "navios do inferno", transportava prisioneiros aliados quando foi atacado e afundado durante a Segunda Guerra Mundial.

A operação histórica de localização e mapeamento foi conduzida pela Hellships Memorial Foundation, em parceria com a Agência de Patrimônio Cultural dos Países Baixos e o canal Discovery. Os destroços foram encontrados na costa de San Narciso, na província de Zambales, localizada no oeste de Luzon, a principal ilha das Filipinas.

O Trágico Erro de 1944 no Mar da China Meridional

No dia 21 de setembro de 1944, o Hōfuku Maru integrava um comboio naval que cruzava o Mar da China Meridional. Nos porões de metal da embarcação, cerca de 1.200 prisioneiros de guerra de origens britânica e holandesa eram transportados em condições sub-humanas.

Por falta de sinalização ou identificação visível de que transportava prisioneiros, forças aéreas dos Estados Unidos confundiram o navio com um cargueiro de suprimentos militares. A aeronave americana disparou quatro torpedos contra o alvo. Um dos projéteis causou uma fratura fatal na estrutura da embarcação, fazendo com que ela se partisse ao meio e submergisse em pouquíssimos minutos.

Devido à rapidez do naufrágio e ao encarceramento nos porões de carga, a grande maioria dos prisioneiros não conseguiu escapar. Estima-se que apenas 200 sobreviventes — já debilitados por doenças e desnutrição extrema — tenham sido resgatados na época.

As Condições Desumanas a Bordo dos "Navios do Inferno"

Durante o conflito global, o exército do Japão utilizou um total de 56 navios mercantes camuflados para movimentar mais de 62 mil prisioneiros de guerra. Dessas embarcações, batizadas pejorativamente de "navios do inferno", 19 acabaram afundadas por fogo aliado que desconhecia a presença de prisioneiros a bordo.

"Estamos a descrever um espaço confinado de metal, escuro, extremamente quente e insalubre. Eles mal recebiam água ou comida. Foi o pior cenário imaginável de aprisionamento", detalhou Tim Beckensall, historiador e coordenador da investigação da Hellships Memorial Foundation.

Investigação de Arquivos e Tecnologia de Sonar

A localização do naufrágio exigiu anos de persistência mútua devido a inconsistências e lacunas nos relatórios de combate americanos e japoneses. O avanço decisivo ocorreu em meados de 2025, quando o investigador John Duresky localizou um diário de bordo japonês digitalizado.

O documento continha o mapeamento e a cronologia exata traçada pelo comandante do navio que liderava o comboio no dia do ataque, confirmando a rota e a posição exata em que o Hōfuku Maru foi atingido.

Com o cruzamento de dados, equipes técnicas utilizaram radares de sonar de alta precisão e mergulhos profundos para confirmar a identidade do navio.

Missão Complexa de Resgate Arqueológico

A arqueóloga subaquática encarregada dos trabalhos de exploração descreveu a intervenção como uma das missões marítimas mais complexas já executadas na história recente. Mergulhadores especializados já deram início à remoção sistemática de sedimentos acumulados nos antigos porões de carga do navio.

  • Preservação: Para evitar saques e garantir a dignidade das vítimas, as coordenadas geográficas precisas do sítio arqueológico permanecem sob sigilo militar e governamental.

  • Identificação: Equipes forenses trabalham na análise e identificação de remanescentes humanos recuperados no local.

  • Homenagem: O sacrifício dos soldados mortos continuará centralizado no memorial construído na Baía de Subic, enquanto a Holanda e nações parceiras articulam novas formas oficiais de tributo internacional aos falecidos.

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