Nova espécie de hiperparasita que se alimenta de "fungos zumbis" é descoberta em Bornéu

terça-feira, 23 de junho de 2026
Fungo Pleurocordyceps cornusynnemata tem estrutura característica em forma de chifre

Fungo Pleurocordyceps cornusynnemata tem estrutura característica em forma de chifre

Universiti Malaysia Sabah (UMS)

Batizado de Pleurocordyceps cornusynnemata, o organismo ataca o fungo invasor que controla e mata formigas nas florestas tropicais da Malásia.


Bnews
por Redação 1feed site
Publicado em 23/06/2026

Uma equipa de investigadores identificou uma nova espécie de hiperparasita — um organismo microscópico que sobrevive atacando outro parasita — nas densas florestas tropicais de Bornéu. A descoberta promete abrir novas frentes no estudo do controlo biológico natural, uma vez que este novo ser vivo se alimenta especificamente dos temidos "fungos zumbis", conhecidos pela sua capacidade de controlar as mentes de insetos.

O ciclo do "fungo zumbi" que inspirou a ficção

A vítima indireta deste processo é a formiga, previamente infetada por fungos pertencentes ao género Ophiocordyceps. Este agente patogénico apodera-se do sistema nervoso central do hospedeiro, forçando o inseto a mover-se para locais favoráveis à reprodução do fungo. Após a morte da formiga, o fungo consome os seus órgãos internos e cresce para fora do exoesqueleto da carcaça.

No entanto, a grande novidade científica reside no Pleurocordyceps cornusynnemata. Este recém-descoberto hiperparasita ignora o corpo da formiga, concentrando os seus ataques e a sua nutrição exclusivamente nos tecidos biológicos do Ophiocordyceps que se desenvolvem no interior do inseto.


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Estrutura única encontrada na Malásia

O espécime que levou à descoberta foi localizado numa zona isolada conhecida como Vale de Danum, no estado de Sabah (norte de Bornéu). O que diferencia esta variedade das outras 26 espécies do género Pleurocordyceps — já documentadas em países como a China, o Japão e a Tailândia — é a sua morfologia singular em formato de chifre.

A investigação foi coordenada pelo cientista Jaya Seelan Sathiya Seelan, pertencente ao Instituto de Biologia Tropical e Conservação da Universidade da Malásia Sabah (UMS), e os dados completos foram partilhados através de um artigo na prestigiada revista académica New Zealand Journal of Botany.

Preservação ambiental e relevância ecológica

Os autores do estudo sublinham que este achado reforça a urgência na conservação das florestas tropicais asiáticas. Segundo os especialistas, Bornéu funciona como um laboratório vivo de interações ecológicas de alta complexidade que ainda não foram totalmente decifradas pela ciência moderna. Mapear a árvore evolutiva da família Polycephalomycetaceae na Malásia é um passo fundamental para compreender como a própria natureza regula populações de microrganismos invasores através do hiperparasitismo.


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