Anvisa autoriza o Inluriyo (tosilato de inlunestranto), novo tratamento via oral contra o câncer de mama avançado e metastático com mutação genética ESR1. Saiba mais!
Desenvolvido pela farmacêutica Eli Lilly do Brasil, o remédio inédito recebeu a denominação comercial de Inluriyo (tosilato de inlunestranto). O aval de comercialização concedido pelo órgão regulador assegura a validade do registro da fórmula em território nacional até junho de 2036.
Para quem é indicado o Inluriyo?
De acordo com os critérios estabelecidos pela Anvisa, o uso do fármaco é restrito a pacientes adultas diagnosticadas com tumor mamário localmente avançado (quando o quadro impede a realização de intervenção cirúrgica de remoção) ou em estágio metastático — situação em que as células tumorais se disseminaram para além da mama.
A indicação médica específica engloba pacientes que cumpram os seguintes requisitos clínicos:
Já tenham se submetido previamente a tratamentos com terapia endócrina;
Apresentem tumor com receptor de estrogênio positivo (ER+);
Apresentem receptor HER2 negativo (HER2-);
Possuam a mutação identificada no gene ESR1.
A terapia funcionará em regime de monoterapia, o que significa que o comprimido será administrado de forma isolada, sem a obrigatoriedade de ser combinado com outras substâncias quimioterápicas no tratamento das pacientes. Nas farmácias, o produto será disponibilizado em drágeas revestidas com dosagem de 200 mg, distribuídas em frascos contendo 30 ou 60 unidades.
Impacto no tratamento da doença e mutação genética
A relevância dessa aprovação ganha força diante do cenário epidemiológico nacional. Dados consolidados pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca) apontam que o câncer de mama lidera os diagnósticos oncológicos entre a população feminina no Brasil. Entre os anos de 2023 e 2025, a projeção anual da autarquia estimou 73.610 novos diagnósticos, número expressivo que representa cerca de 30% de todas as neoplasias descobertas em mulheres brasileiras.
A chegada do Inluriyo ao mercado farmacêutico representa um avanço expressivo na oncologia. A medicação passa a funcionar como uma alternativa clínica crucial para pacientes que lidam com as manifestações mais severas da doença e que, com o tempo, acabaram desenvolvendo resistência imunológica e biológica às terapias hormonais convencionais.
O principal diferencial técnico reforçado pela agência reguladora é o foco na mutação do gene ESR1. Essa variação do DNA celular está diretamente atrelada ao avanço acelerado da doença e costuma neutralizar a resposta terapêutica de outros remédios endócrinos já conhecidos, fazendo do tosilato de inlunestranto uma valiosa ferramenta de medicina de precisão.