Ofensiva da Ucrânia: O que se sabe sobre os novos ataques em massa com drones contra a Rússia

sexta-feira, 19 de junho de 2026
Refinaria de petróleo de Kapotnya em chamas

Refinaria de petróleo de Kapotnya está localizada no sudeste de Moscou

Reprodução/YouTube/Jornal da Record

A Ucrânia intensifica ataques de longo alcance com drones contra refinarias em Moscou e Rostov, paralisando aeroportos e desafiando as defesas aéreas russas

Por Redação Mundo | Atualizado em 19 de junho de 2026

A estratégia militar da Ucrânia alcançou um novo patamar de intensidade. A refinaria de petróleo de Kapotnya, infraestrutura crucial situada no sudeste de Moscou e responsável por grande parte do abastecimento de combustível da área metropolitana russa, voltou a ser bombardeada. Este representa o terceiro ataque contra a instalação no espaço de um mês — e o segundo registado apenas nesta semana.

Registos visuais divulgados nas redes sociais mostram colossais nuvens de fumo negro a cobrir o céu de Moscou enquanto forças de salvamento tentavam conter as chamas. Vídeos impressionantes captaram a força de uma das explosões, que projetou a tampa de um reservatório de petróleo a dezenas de metros de altura. Adicionalmente, um centro comercial adjacente foi assolado por um incêndio, causado presumivelmente pela queda de destroços de aeronaves não tripuladas intercetadas. Como medida de segurança, diversos prédios de habitação na zona foram evacuados de imediato.

Infraestrutura energética russa na mira: Vítimas em Rostov e caos nos aeroportos (H2)

A vaga de investidas ucranianas não se limitou à capital russa. Na província de Rostov, localizada no sul da Federação Russa, um depósito de combustíveis foi severamente atingido, resultando na morte de uma pessoa. Outras incursões semelhantes foram detetadas em pontos estratégicos da malha logística e energética do país administrado por Vladimir Putin.

O espaço aéreo da capital russa sofreu sérios constrangimentos devido à vaga de ataques. Os quatro principais aeroportos internacionais de Moscou foram obrigados a paralisar temporariamente as suas pistas de descolagem e aterragem, culminando no cancelamento ou forte atraso de centenas de ligações aéreas comerciais.

A resposta de Zelensky: "Se a Ucrânia queimar, Moscou também vai queimar" (H2)

O chefe de Estado ucraniano, Volodymyr Zelensky, assumiu a responsabilidade pelas operações de "longo curso". De acordo com o presidente, a investida surge como uma retaliação direta aos recentes ataques perpetrados pela Rússia contra Kiev que, na semana transata, danificaram um emblemático e histórico complexo religioso na capital da Ucrânia.

"Não queríamos esta guerra e nunca a quisemos. Mas se a Ucrânia queimar, Moscou também vai queimar", advertiu Zelensky, reiterando a sua disposição para uma resolução diplomática, desde que o Kremlin tome a iniciativa de cessar as hostilidades.

A evolução tecnológica dos drones ucranianos (H3)

O cenário atual difere substancialmente de 2023, período em que as primeiras incursões aéreas ucranianas contra a capital russa eram raras e contavam com um número reduzido de dispositivos. Graças a um expressivo investimento no desenvolvimento e fabrico interno de tecnologia militar, Kiev possui agora aeronaves não tripuladas capazes de ultrapassar os 1.000 quilómetros de autonomia, levando a guerra muito para além das linhas de combate tradicionais.

Especialistas e correspondentes internacionais apontam que a nova doutrina militar da Ucrânia assenta em dois pilares:

  1. Asfixia económica: Destruição de refinarias e cadeias de suprimento de hidrocarbonetos indispensáveis para o esforço de guerra russo.

  2. Impacto psicológico: Demonstrar à sociedade civil russa que o conflito armado já não está confinado às fronteiras externas e que pode afetar o seu quotidiano.

Apesar de a Rússia ter blindado a sua rede defensiva nos últimos tempos, a nova tática de saturação utilizada pela Ucrânia — que combina drones de ataque com modelos de reconhecimento e iscas eletrónicas — consegue sobrecarregar e romper os sistemas antiaéreos russos com eficácia acrescida.

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