Os Donos da Mítica Camisa 10 da Seleção Brasileira: Uma Linha do Tempo de Craques em Copas do Mundo

sexta-feira, 19 de junho de 2026
Camisa 10 da seleção se popularizou após a era Pelé

Camisa 10 da seleção se popularizou após a era Pelé

Reprodução/Instagram/@pelé

O místico número do futebol canarinho carrega o peso do protagonismo e da genialidade ao longo da história dos Mundiais da FIFA.

Por Redação Copa do Mundo | Atualizado em 19 de junho de 2026

A mística camisa 10 da seleção brasileira ganha mais um capítulo marcante na atualidade. Sob o comando técnico em campo, Neymar reassume o fardamento mais tradicional do futebol mundial. Ao carregar essa numeração emblemática, o craque se posiciona novamente ao lado de lendas imortais da equipe canarinha, como o Rei Pelé, Zico, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho e Kaká.

Ao longo do desenvolvimento do torneio da FIFA, este uniforme transformou-se no sinônimo definitivo de maestria, inventividade e liderança técnica. Embora atualmente o vínculo entre o número 10 e a excelência no futebol seja imediato, o início da história da seleção brasileira não funcionava assim.

Nas primeiras edições dos Mundiais, os atletas entravam em campo sem identificação numérica nas costas. O modelo de numeração oficial só virou realidade na década de 1950, quando a FIFA regulamentou o sistema de identificação.

No entanto, a projeção global da numeração explodiu graças ao talento de Pelé. O Atleta do Século utilizou o algarismo em quatro edições da competição, transformando a vestimenta no padrão ouro do futebol arte. Desde o seu legado, carregar esse número tornou-se uma herança repassada aos principais nomes de cada ciclo.



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A Trajetória de Todos os Camisas 10 do Brasil em Copas

Jair da Rosa Pinto e Ademir de Menezes (1950)

O Mundial de 1950, sediado em solo brasileiro, marcou a estreia dos números nos uniformes, embora ainda sem donos fixos para o torneio. A numeração mudava a cada confronto baseado na escalação titular. Por conta disso, o talentoso meio-campista Jair da Rosa Pinto (ídolo de Palmeiras e Vasco) e o implacável goleador Ademir de Menezes revezaram a camisa 10 na jornada que culminou no doloroso vice-campeonato no Maracanã.

Pinga (1954)

A Copa da Suíça de 1954 trouxe a obrigatoriedade da numeração fixa por atleta. O atacante Pinga, que brilhava no Vasco da Gama, tornou-se o pioneiro a ostentar a 10 de modo permanente em uma edição de Copa. Ele anotou dois tentos no torneio, mas o elenco brasileiro acabou barrado nas quartas de final diante da forte Hungria, no violento episódio conhecido como a "Batalha de Berna".



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Pelé (1958, 1962, 1966 e 1970)

A consolidação mundial do número 10 ocorreu pelos pés de Pelé. Em sua estreia aos 17 anos no Mundial da Suécia em 1958, o jovem assumiu a camisa e guiou o Brasil rumo ao primeiro título mundial. Ele repetiu a dose com o bicampeonato em 1962, mesmo sofrendo uma contusão muscular precoce na fase inicial. Após um tropeço coletivo em 1966 na Inglaterra, o Rei encerrou sua história em Mundiais de forma apoteótica em 1970, no México, assegurando o tricampeonato e eternizando a camisa 10 como o ápice do manto verde e amarelo.

Rivellino (1974 e 1978)

Com a despedida do Rei, a imensa responsabilidade de herdar o manto caiu sobre os ombros de Rivellino. Dono de um drible curto desconcertante e chutes potentes, o meia — que fora campeão em 70 vestindo a 11 — assumiu a camisa 10 nos Mundiais de 1974 (Alemanha) e 1978 (Argentina), atuando como o principal cérebro de uma equipe em fase de transição geracional.

Zico (1982 e 1986)

O "Galinho de Quintino" imortalizou a camisa 10 em duas competições consecutivas. Zico tornou-se a engrenagem principal de uma das safras mais técnicas da história da esquadra brasileira, marcada pelo futebol vistoso, mas também pela falta de títulos. Em 1982, na Espanha, foi o grande líder da inesquecível equipe montada por Telê Santana que parou diante da Itália. Em 1986, no México, mesmo lidando com problemas físicos, retornou como a grande estrela na campanha interrompida nas quartas pelos franceses.

Silas (1990)

Na Copa da Itália, em 1990, o técnico Sebastião Lazaroni concedeu a mística camisa a Silas, meio-campista de grande visão de jogo que fazia sucesso no São Paulo. Sob uma proposta tática conservadora e focada na defesa, a equipe acabou eliminada precocemente nas oitavas de final pela rival Argentina de Diego Maradona.

Raí (1994)

No início da caminhada rumo ao tetracampeonato nos Estados Unidos, Raí iniciou o torneio ostentando a tarja de capitão e o número 10. Apesar de sua reconhecida classe e refinamento, ele perdeu a titularidade ao longo das partidas. Ainda assim, fez parte fundamental do elenco comandado por Carlos Alberto Parreira, que apostava em uma mecânica de jogo coletiva e de forte marcação tática para erguer a taça.

Rivaldo (1998 e 2002)

O meio-campista Rivaldo viveu extremos ao carregar o principal número da Seleção. Na Copa da França em 1998, foi o grande motor da equipe que chegou ao vice-campeonato. Quatro anos depois, na Coreia do Sul e no Japão, ele atingiu o topo do mundo ao ser a peça-chave do pentacampeonato em 2002, compondo o avassalador trio de ataque "com os R's" adjacentes a Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho.

Ronaldinho Gaúcho (2006)

Após atuar com a camisa 11 na conquista do penta, o "Bruxo" assumiu a responsabilidade do número 10 no Mundial da Alemanha, em 2006. Vivendo o ápice de sua carreira e eleito o melhor jogador do planeta, Ronaldinho gerou enorme expectativa no chamado "Quadrado Mágico". Contudo, o rendimento ficou aquém do esperado e o Brasil acabou caindo nas quartas de final para a França.

Kaká (2010)

No torneio disputado na África do Sul, em 2010, Kaká foi o escolhido para coordenar as ações ofensivas do time de Dunga. Laureado com o prêmio de melhor do mundo em 2007, o meia tentou liderar tecnicamente um grupo combativo, mas o sonho do hexacampeonato foi interrompido nas quartas de final pela Holanda.

Neymar (2014, 2018, 2022 e 2026)

O principal nome da última década do futebol brasileiro, Neymar, assumiu o fardamento número 10 às vésperas do torneio em casa, em 2014. No Brasil, ele carregou o protagonismo até sofrer uma grave lesão na coluna nas quartas de final contra a Colômbia, desfalcando o elenco no fatídico revés de 7 a 1 para os alemães. Nas Copas da Rússia (2018) e do Catar (2022), continuou como o centro gravitacional do ataque nacional, caindo ambas as vezes nas quartas de final. Em 2026, o jogador crava seu nome na eternidade ao disputar seu quarto Mundial com a camisa 10, alcançando a marca histórica estabelecida pelo próprio Rei Pelé.

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