Paris Filmes desiste de 'Dark Horse', longa ficcional inspirado em Jair Bolsonaro

quarta-feira, 24 de junho de 2026
Jim Caviezel no pôster de 'Dark Horse', filme sobre Jair Bolsonaro

Jim Caviezel no pôster de 'Dark Horse', filme sobre Jair Bolsonaro

Foto: Reprodução/Instagram/therealjimcaviezel

Com estreia adiada para depois das eleições, produção enfrenta barreiras de distribuição no mercado e questionamentos jurídicos sobre financiamento.


Bnews
por Redação 1feed site
Publicado em 24/06/2026

A Paris Filmes, uma das principais potências de distribuição cinematográfica no cenário latino-americano, optou por rejeitar a proposta para gerenciar o lançamento de "Dark Horse". A decisão da empresa foi validada por bastidores ligados à intermediação dos direitos de exibição da obra. Mesmo sem o apoio da gigante do setor, a ficção inspirada na trajetória de Jair Bolsonaro mantém sua previsão de estreia para o dia 5 de novembro, estrategicamente agendada após o encerramento do segundo turno do pleito presidencial.

Adiamento estratégico e entraves financeiros

No planejamento inicial, o longa-metragem deveria chegar aos cinemas antes da votação de outubro. Contudo, barreiras financeiras enfrentadas na fase conclusiva da produção e o receio de reflexos políticos negativos sobre a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) ao Palácio do Planalto motivaram a postergação do cronograma.

A produtora responsável pela obra, Go Up, esclareceu que tratativas comerciais ligadas à distribuição continuam ativas e integram o planejamento de mercado do longa. Embora outras distribuidoras estejam sendo consultadas, interlocutores do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) indicam que nenhum acordo formal foi assinado.

Karina Gama, proprietária da Go Up, salientar que a empresa tem dialogado com múltiplos players do mercado e avaliado, em cooperação com investidores do exterior, o melhor caminho para introduzir o título no circuito comercial.

Controvérsias nos bastidores e polêmica de financiamento

O avanço do projeto no mercado audiovisual brasileiro tem encontrado forte ceticismo. O cenário tornou-se complexo após a divulgação de que o orçamento contou com aportes financeiros de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master detido sob a acusação de comandar uma rede criminosa. Reportagens anteriores do portal Intercept apontaram que o senador Flávio Bolsonaro teria mediado as conversas, incluindo cobranças financeiras diretas ao banqueiro.


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Por conta desses desdobramentos, o coletivo de juristas Prerrogativas ingressou com uma representação junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) solicitando o bloqueio da exibição da obra até o desfecho do período eleitoral. O grupo argumenta que a produção opera como uma espécie de "propaganda eleitoral mascarada e extemporânea", além de levantar suspeitas de abuso econômico e financiamento irregular de campanha.

Paralelamente, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) exigindo uma auditoria rigorosa nas contas do filme. O parlamentar pede que a Corte verifique se as verbas captadas para a película serviram para subsidiar despesas pessoais de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

O posicionamento oficial da distribuidora

Em comunicado oficial emitido posteriormente, a Paris Filmes corroborou seu afastamento definitivo da iniciativa:

"A Paris Filmes esclarece que, dada a sua relevância no circuito de exibição nacional, recebe de maneira recorrente propostas de produtoras locais e internacionais para analisar a viabilidade comercial de novos projetos. A empresa foi provocada a analisar o potencial de mercado do filme 'Dark Horse' há algum tempo, mas, após avaliações corporativas internas, escolheu não dar continuidade à distribuição da obra. A companhia ressalta que não existem tratativas em andamento, tampouco qualquer vínculo contratual ou compromisso assumido para o lançamento do referido filme."


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