Com estreia adiada para depois das eleições, produção enfrenta barreiras de distribuição no mercado e questionamentos jurídicos sobre financiamento.
Adiamento estratégico e entraves financeiros
No planejamento inicial, o longa-metragem deveria chegar aos cinemas antes da votação de outubro. Contudo, barreiras financeiras enfrentadas na fase conclusiva da produção e o receio de reflexos políticos negativos sobre a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) ao Palácio do Planalto motivaram a postergação do cronograma.
A produtora responsável pela obra, Go Up, esclareceu que tratativas comerciais ligadas à distribuição continuam ativas e integram o planejamento de mercado do longa. Embora outras distribuidoras estejam sendo consultadas, interlocutores do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) indicam que nenhum acordo formal foi assinado.
Karina Gama, proprietária da Go Up, salientar que a empresa tem dialogado com múltiplos players do mercado e avaliado, em cooperação com investidores do exterior, o melhor caminho para introduzir o título no circuito comercial.
Controvérsias nos bastidores e polêmica de financiamento
O avanço do projeto no mercado audiovisual brasileiro tem encontrado forte ceticismo. O cenário tornou-se complexo após a divulgação de que o orçamento contou com aportes financeiros de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master detido sob a acusação de comandar uma rede criminosa. Reportagens anteriores do portal Intercept apontaram que o senador Flávio Bolsonaro teria mediado as conversas, incluindo cobranças financeiras diretas ao banqueiro.
Por conta desses desdobramentos, o coletivo de juristas Prerrogativas ingressou com uma representação junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) solicitando o bloqueio da exibição da obra até o desfecho do período eleitoral. O grupo argumenta que a produção opera como uma espécie de "propaganda eleitoral mascarada e extemporânea", além de levantar suspeitas de abuso econômico e financiamento irregular de campanha.
Paralelamente, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) exigindo uma auditoria rigorosa nas contas do filme. O parlamentar pede que a Corte verifique se as verbas captadas para a película serviram para subsidiar despesas pessoais de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
O posicionamento oficial da distribuidora
Em comunicado oficial emitido posteriormente, a Paris Filmes corroborou seu afastamento definitivo da iniciativa:
"A Paris Filmes esclarece que, dada a sua relevância no circuito de exibição nacional, recebe de maneira recorrente propostas de produtoras locais e internacionais para analisar a viabilidade comercial de novos projetos. A empresa foi provocada a analisar o potencial de mercado do filme 'Dark Horse' há algum tempo, mas, após avaliações corporativas internas, escolheu não dar continuidade à distribuição da obra. A companhia ressalta que não existem tratativas em andamento, tampouco qualquer vínculo contratual ou compromisso assumido para o lançamento do referido filme."