PF restaura arquivos deletados do celular de ex-banqueiro que revelam vazamento de dados do Banco Central e menções à cúpula do Judiciário e da PGR
Por Redação Política | Atualizado em 18 de junho de 2026
A Polícia Federal (PF) obteve um avanço crucial nas investigações que envolvem o Banco Master. Peritos criminais conseguiram restaurar arquivos que haviam sido apagados do bloco de notas do celular do empresário Daniel Vorcaro, ex-proprietário da instituição financeira. Os documentos recuperados expõem diálogos confidenciais e estratégias sobre o andamento do inquérito sigiloso.
Os relatórios detalhados foram encaminhados ao Supremo Tribunal Federal (STF) e validados publicamente pelo ministro André Mendonça. Contudo, as peças processuais mantêm sob sigilo a identidade do interlocutor com quem o banqueiro se comunicava.
Estratégia de ocultação no bloco de notas do celular
De acordo com as autoridades, a utilização do aplicativo de notas do smartphone funcionava como uma tática de contra-inteligência adotada por Vorcaro. O objetivo era inviabilizar o rastreamento de diálogos mantidos com figuras de grande influência política e jurídica.
Veículos de imprensa como O Globo e O Estado de S. Paulo chegaram a apontar que o ministro Alexandre de Moraes figurava entre os contatos que utilizavam essa dinâmica de comunicação. O magistrado, no entanto, rechaçou veementemente as alegações.
O monitoramento técnico aponta movimentações precisas:
21 de outubro de 2025: Vorcaro listou os nomes de cinco agentes da PF atuantes em uma reunião secreta junto ao Banco Central (Bacen), além de três procuradores da República dedicados à apuração inicial do caso.
30 de outubro de 2025: Foram registradas mensagens diretas enviadas ao contato oculto detalhando a conjuntura financeira do banco e pressões nos bastidores.
Pressão no Banco Central e citações a autoridades
Nas anotações recuperadas pela perícia técnica, datadas a partir das 13h13, o banqueiro revelava ter recebido relatórios informais de aliados infiltrados no Banco Central. Segundo as mensagens, a autarquia sofria forte pressão da PF e do Ministério Público Federal (MPF) para adotar medidas restritivas contra ele.
No texto interceptado, são utilizadas siglas e menções diretas a grandes autoridades do país:
"O problema agora é que tive informações informais (...) que G [Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central] e os diretores estão na pressão máxima de novo (...). É importante reforçar com Andrei [Rodrigues, diretor-geral da PF] e Paulo [Gonet, procurador-geral da República] para não deixar ninguém de baixo fazer uma sacanagem", escreveu o empresário em trecho recuperado.
Vorcaro justificou a precisão de suas fontes afirmando que os informantes eram servidores da própria autarquia financeira que participavam ativamente das reuniões internas de regulação.
Tentativa de apagar rastros digitais e menção a 'legado eterno'
A PF constatou que as notas explicativas foram deletadas escassos minutos após a sua digitação, o que reforça a tese dos investigadores de que havia a intenção deliberada de destruir evidências que comprovassem o vazamento ilegal de dados públicos sigilosos.
Novos desdobramentos obtidos por fontes jornalísticas revelam ainda uma terceira anotação, redigida às 13h51 do mesmo dia. Nela, o tom de Vorcaro passa a ser de exaltação ao interlocutor misterioso, afirmando que a testemunha oculta se consolidaria como "a pessoa mais importante do país" e que seu "legado para o Brasil será eterno", em uma clara tentativa de blindagem das operações do Banco Master perante o cenário regulatório nacional.
