Por 3 votos a 1, Segunda Turma do STF negou recursos de parentes do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master; relator associou práticas do grupo a táticas mafiosas.
Por Redação Brasília | Atualizado em junho de 2026
Segunda Turma do STF retoma análise de recursos contra preventivas
A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) reabriu o julgamento dos recursos interpostos pelas defesas dos alvos da Operação Compliance Zero, que apura fraudes e crimes associados a executivos ligados ao Banco Master. O andamento do processo criminal estava paralisado desde maio devido a um pedido de vista formulado pelo ministro Gilmar Mendes, cuja devolução recente permitiu que o colegiado deliberasse sobre a manutenção das prisões preventivas.
Relator aponta ameaças violentas e nega paralelo com a Lava Jato
O ministro André Mendonça, relator do caso na Suprema Corte, proferiu voto rígido contra a concessão de liberdade. Ele sustentou que os elementos trazidos pela Polícia Federal evidenciam condutas violentas orquestradas a mando do banqueiro Daniel Vorcaro. De acordo com Mendonça, a gravidade das condutas afasta o cenário da tradicional criminalidade financeira: trata-se de uma atuação análoga a organizações criminosas mafiosas, dado o uso ativo de ameaças de morte.
Conforme o inquérito, Henrique Vorcaro (pai do banqueiro) comandava o núcleo violento apelidado de "A Turma" para constranger opositores, enquanto Felipe Vorcaro (primo) coordenava a logística financeira e operacional da organização. Ao chancelar o cárcere cautelar dos réus, Mendonça frisou textualmente: "Não estamos aqui a julgar a Lava-Jato".
Voto divergente de Gilmar Mendes critica métodos da instrução penal
A decisão do colegiado terminou isolando o posicionamento do ministro Gilmar Mendes, que abriu a única divergência da sessão ao defender o relaxamento das prisões por 3 votos a 1. Mendes propôs uma flexibilização das cautelares, sugerindo prisão domiciliar humanitária para Henrique e a soltura irrestrita de Felipe.
Em sua fundamentação, o ministro decano criticou severamente o uso de prisões preventivas alongadas como artifício psicológico para compelir réus a firmarem delações premiadas, comparando a estratégia à condução de investigações passadas no Paraná. Mendes apontou prejuízos institucionais decorrentes da espetacularização processual e chamou os métodos da Operação Lava Jato de "práticas autoritárias", movidas por um punitivismo focado em popularidade midiática que extrapolou os limites legais.
Sergio Moro reage nas redes e classifica críticas como "ladainha"
O desfecho do julgamento provocou reações imediatas fora dos tribunais. O senador Sérgio Moro (PL-PR), atual pré-candidato ao governo paranaense, utilizou suas plataformas digitais para rechaçar veementemente o posicionamento e as comparações feitas por Gilmar Mendes, referindo-se aos argumentos do ministro do STF como "ladainha".
Moro elogiou nominalmente a postura dos ministros André Mendonça, Luiz Fux e Nunes Marques pela integridade de seus votos. Segundo o parlamentar, a manutenção do cárcere do grupo envolvido com o Banco Master representa uma legítima "vitória da lei e da justiça", pontuando que o tribunal agiu corretamente ao blindar o Judiciário contra narrativas distorcidas levantadas pelas defesas.
