Uberização no STF: Ministro Edson Fachin adia julgamento sobre vínculo empregatício de motoristas de aplicativos

quinta-feira, 25 de junho de 2026
Edson Fachin durante sessão plenária do STF

Edson Fachin durante sessão plenária do STF

Antonio Augusto/STF

Supremo Tribunal Federal suspende análise de direitos trabalhistas na economia dos aplicativos após Defensoria Pública da União acionar nova resolução internacional da OIT.

Bnews
por Redação 1feed site
Publicado em 25/06/2026

O debate jurídico e trabalhista sobre o vínculo empregatício por aplicativo ganhou um novo capítulo no Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Edson Fachin, atual presidente da Corte, decidiu suspender temporariamente da pauta de votações o julgamento que definirá as diretrizes jurídicas da relação trabalhista entre motoristas, entregadores e as grandes plataformas digitais de tecnologia.

A discussão, amplamente classificada como o fenômeno da "uberização", possui impacto socioeconômico profundo, pois a decisão final do STF servirá de base jurídica para padronizar o modelo de contratação e as garantias de milhares de prestadores de serviços no território brasileiro.

O motivo do adiamento: Novas diretrizes globais da OIT

A retirada do processo da pauta atende a um requerimento formal apresentado pela Defensoria Pública da União (DPU). A instituição baseou seu pedido em uma recente movimentação internacional: a aprovação da Convenção nº 193 durante a 114ª Conferência da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Este novo tratado global propõe uma estrutura de direitos, deveres e regulamentações específicas para o trabalho gerido por plataformas digitais, atingindo diretamente o cerne do processo em andamento no Brasil.

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Argumentação jurídica e os próximos passos

Ao acolher a solicitação, o ministro Edson Fachin tratou o parecer internacional como um fato jurídico novo e crucial para o embasamento da matéria. Resvalando-se no Artigo 933 do Código de Processo Civil (CPC) — que prevê a manifestação prévia das partes diante de acontecimentos novos e relevantes —, Fachin destacou o peso do cenário externo.

"Diante da extrema relevância que a convenção internacional carrega e seus reflexos diretos no exame deste recurso extraordinário, dou provimento para suspender o andamento da pauta", pontuou Fachin no despacho.

Com a nova determinação do Supremo, todas as partes litigantes envolvidas e os amici curiae (entidades e especialistas admitidos no processo para enriquecer o debate técnico) serão formalmente notificados para que enviem suas considerações a respeito das normas estabelecidas pela OIT.

O que está em jogo para a Consolidação das Leis do Trabalho?

A espinha dorsal desta ação avalia o rumo das relações de emprego na era tecnológica. O Supremo definirá se a categoria dos motoristas e motoboys de aplicativos preenche os requisitos legais para o enquadramento na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) — garantindo acesso a benefícios tradicionais —, ou se as atividades devem seguir a jurisprudência de prestação de serviço autônomo.

Ainda sem um cronograma de retorno estipulado pela presidência da Corte, o recurso extraordinário aguardará os pareceres e manifestações de defesa e acusação antes de receber uma nova data definitiva de julgamento no plenário do STF.


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