Condenação de Eduardo Bolsonaro: DPU recorre ao STF e pede redução de pena por coação

quarta-feira, 8 de julho de 2026
O ex-deputado Eduardo Bolsonaro

O ex-deputado Eduardo Bolsonaro

Reprodução/X

Defesa técnica aponta contradição jurídica no cálculo da dosimetria e alega que declarações públicas foram validadas como confissão pela Corte.

Bnews
por Redação 1feed site
Publicado em 08/07/2026

A Defensoria Pública da União (DPU) protocolou, nesta terça-feira (7), um recurso formal perante o Supremo Tribunal Federal (STF) solicitando a revisão e a diminuição da penalidade aplicada a Eduardo Bolsonaro. O ex-parlamentar recebeu uma sentença de 4 anos e 2 meses de reclusão, a ser cumprida inicialmente em regime semiaberto, pelo crime de coação no curso do processo. A acusação aponta que ele buscou obstruir as investigações ligadas à tentativa de golpe de Estado, caso que culminou na responsabilização de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Como o ex-deputado federal não constituiu defensores particulares nos autos, a DPU assumiu a assistência jurídica de forma dativa. Nos embargos de declaração enviados ao STF, a instituição aponta a existência de omissões e falhas lógicas no acórdão que consolidou a condenação pela Primeira Turma da Corte.

O argumento da confissão na dosimetria da pena

De acordo com a peça recursal da Defensoria, o colegiado de ministros utilizou manifestações públicas de Eduardo Bolsonaro como elemento de confissão para embasar o veredito condenatório. Contudo, no momento de fixar o tempo exato da punição (dosimetria), o tribunal desconsiderou atenuantes, definindo que não existiam fatores para reduzir o montante final.


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A DPU salienta que o ordenamento jurídico brasileiro determina obrigatoriamente o abatimento da pena quando há admissão de culpa, respaldando-se em jurisprudência consolidada tanto no Superior Tribunal de Justiça (STJ) quanto no próprio Supremo.

"A constatação de que o réu confessou partiu dos próprios magistrados durante a fundamentação do acórdão. Uma vez que o tribunal validou e aplicou essa premissa para condenar, sob a ótica estritamente legal, a dosimetria não deveria estabelecer um período de reclusão acima do patamar de 4 anos", argumenta o órgão no texto defensivo.

Pedido de esclarecimentos ao Supremo

O recurso também solicita que, caso a Primeira Turma decida manter a sanção original, fundamente de maneira detalhada as razões para afastar o benefício legal.

A defesa técnica finaliza reforçando a necessidade de análise profunda dos pontos levantados: "Pede-se que as lacunas e contradições apontadas com base técnica não sejam descartadas sob a justificativa genérica de que se trata de uma mera tentativa de reavaliar o mérito da causa, visto que os embargos visam estritamente corrigir distorções processuais".


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