Inadimplência bancária bate recorde histórico em maio e atinge 4,7%, aponta Banco Central

quarta-feira, 1 de julho de 2026
Cartão de crédito

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Foto: Divulgação

Taxa de atrasos em financiamentos é a maior registrada desde 2011, mesmo diante de um recuo marginal nos juros médios das novas concessões de crédito.


Bnews
por Redação 1feed site
Publicado em 02/07/2026

O índice de calotes nos financiamentos concedidos pelo Sistema Financeiro Nacional (SFN) registrou nova alta e atingiu o patamar de 4,7% em maio. O relatório estatístico divulgado pelo Banco Central (BC) revela que este indicador — responsável por monitorar os pagamentos atrasados há mais de 90 dias — alcançou o teto absoluto de sua série histórica, iniciada em março de 2011. Em termos comparativos, houve um acréscimo de 0,1 ponto percentual frente a abril e um salto de 1 ponto inteiro no acumulado de 12 meses.

Calotes crescem tanto no varejo quanto no segmento corporativo

O avanço nos índices de atraso foi generalizado. Quando analisado o orçamento das famílias, a taxa de inadimplência alcançou a marca de 5,6%, refletindo um incremento mensal de 0,1 ponto percentual (e um avanço anual de 1,2 ponto). No segmento das pessoas jurídicas, o indicador também oscilou positivamente em 0,1 ponto no mês, firmando-se em 3,2%, o que representa uma elevação de 0,5 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano anterior.

Juros médios registram queda tímida enquanto estoque avança

Mesmo com a piora no perfil de pagamento dos tomadores, o custo médio das novas linhas de crédito apresentou uma sutil retração de 0,1 ponto percentual, fechando o quinto mês do ano cotado em 33,4% ao ano. Sob a perspectiva de longo prazo, contudo, a taxa de juros carrega uma alta acumulada de 1,7 ponto percentual em 12 meses.

Paralelamente, o spread bancário — a margem bruta repassada aos clientes — recuou ligeiramente para 22,1 pontos percentuais no mês, mantendo um saldo positivo de 1,6 ponto na comparação anual. Já o volume financeiro estocado no SFN avançou 0,6% em maio, contabilizando R$ 7,3 trilhões (o equivalente a 55,7% de todo o Produto Interno Bruto do país). Desse total, R$ 4,6 trilhões concentram-se no crédito às famílias, enquanto R$ 2,7 trilhões abastecem o caixa das empresas.

Mercado de Crédito Livre versus Crédito Direcionado

Na modalidade de recursos livres — onde as taxas são estabelecidas pelo mercado de capitais sem intervenção direta —, o montante sob custódia somou R$ 4,1 trilhões. Trata-se da fatia onde operam modalidades caras como o cheque especial e as faturas rotativas do cartão de crédito. Nessa carteira, a taxa de juros média gira em torno de 49,5% ao ano (chegando a expressivos 62,8% para cidadãos comuns e 25,2% para corporações). Nesse ambiente, a inadimplência média bateu 6,2%, impulsionada pelos 7,6% observados no público residencial.

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Por sua vez, o segmento de recursos direcionados (composto por linhas de fomento agrário e crédito habitacional) alcançou R$ 3,2 trilhões. Esse nicho específico demonstrou forte aceleração de 13,1% no balanço anualizado.

Nível de endividamento comprime a renda familiar

Os números do Banco Central detalham que a taxa de endividamento da população ficou fixada em 49,8% em abril (último registro consolidado). O cenário expõe que os débitos adquiridos pelos cidadãos consomem virtualmente metade do faturamento acumulado pelas famílias ao ano. Desta forma, o comprometimento de renda atual é de 28,2%, o que significa que mais de R$ 28 de cada R$ 100 recebidos mensalmente servem apenas para amortizar compromissos com bancos.

Lançamento do Desenrola Adimplentes enfrenta ceticismo dos grandes bancos

A divulgação das estatísticas macroeconômicas coincide com a criação do programa Desenrola Adimplentes pelo governo federal. A iniciativa visa amparar profissionais autônomos e trabalhadores do mercado informal que mantêm suas obrigações regulares, porém sob o peso de juros exorbitantes em dívidas limitadas a R$ 15 mil.

Entretanto, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) demonstrou cautela, destacando que a adesão das instituições privadas será facultativa e pautada em critérios individuais de gerenciamento de risco. Especialistas do setor de finanças apontam que o apelo mercadológico do programa é mais brando para as instituições financeiras, dado que o público-alvo ainda se encontra regularizado ou possui atrasos que não superam o prazo de 90 dias. A medida propõe converter passivos caros em novas parcelas com tetos de juros de 1,99% ao mês, respaldadas por aportes e garantias parciais de R$ 3 bilhões provenientes do Fundo Garantidor de Operações (FGO).


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